Em uma edição com 174 quilômetros percorridos em passarela, 20 desfiles, mais de 400 modelos, 1.050 looks e impacto estimado em R$ 100 milhões, Ana Lopes e Rafael Fonseca se destacaram como os recordistas da temporada carioca… Ui ui ui!
Por Fabio Lage – House of Models
Honey Lee de Duque de Caxias e adjacências, o Rio Fashion Week voltou e voltou grandão… Grande em escala, em ambição, em ocupação de cidade, em patrocinador, em talk, em ativação de marca, em fila, em flash, em festa, em business e, claro, naquele drama fashion deliciosamente necessário que faz a moda parecer, ao mesmo tempo, uma indústria bilionária e uma novela das nove com styling melhorado.
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Foram 174 quilômetros percorridos em passarela ao longo de 20 desfiles, realizados entre 14 e 18 de abril, no Rio de Janeiro. Traduzindo para quem gosta de moda: é o equivalente a quatro maratonas completas. Sim, honey. Enquanto muita gente reclamava de andar do Uber até o credenciamento, os modelos estavam praticamente fazendo São Silvestre de salto, sandália, alfaiataria, transparência, brilho, biquíni, casaco, cabelo pronto, make intacta e dignidade preservada. Atura ou surta, bebê… é para poucos, sorry!
Só o complexo criativo de 35 mil metros quadrados montado no Pier Mauá recebeu cerca de 30 mil pessoas em quatro dias, sem contar os desfiles externos que ocuparam endereços icônicos da cidade. A abertura oficial veio com a Osklen no Palácio da Cidade. O encerramento ficou por conta de Lenny Niemeyer no Museu do Amanhã. No meio desse percurso, a Misci fez sua presença apoteótica e babadeira na Sapucaí, porque, convenhamos, se é para fazer moda no Rio, que seja com geografia, memória, espetáculo e um leve cheiro de “me respeita que eu tenho história”.

Ao todo, mais de 400 modelos passaram pelo evento, apresentando 1.050 looks. Números que impressionam, claro. Mas números, sozinhos, são frios. Parecem planilha de reunião com café morno. O que interessa ao House of Models é o que acontece quando a planilha ganha corpo, passo, presença, casting, troca de roupa, prova, backstage, espera, corrida, entrada, saída e aquele olhar de quem entra na passarela fingindo que não está acontecendo um pequeno caos organizado atrás da cortina.
Porque backstage, mon amour do céu de brigadeiro, é isso: uma mistura de templo, rodoviária, camarim de novela, pronto-socorro fashion e final de campeonato. Tudo junto. E ainda querem que o modelo entre sereno. Deus me livre, mas quem me dera!
Dentro dessa engrenagem enorme, dois nomes se destacaram como os recordistas de desfiles desta edição: Ana Lopes e Rafael Fonseca.

Ana Lopes, nascida em Cataguases, Minas Gerais, 25 anos, somou 13 desfiles nessa edição babadeira da Rio Fashion Week. Rafael Fonseca, carioca, 19 anos, totalizou sete desfiles e se consagrou como o modelo masculino que mais cruzou as passarelas da temporada. Em uma edição com mais de 400 modelos, esse dado é sintoma, baby. É termômetro. É leitura de mercado.
E a moda, quando presta atenção de verdade, sabe que casting fala. Às vezes, mais do que muito release emocionado tentando transformar tecido em tese de doutorado… preguiça!
Nenhuma modelo faz 13 desfiles por acaso, honey… convenhamos. Nenhum modelo faz sete desfiles em uma semana dessa escala apenas porque “combina com a roupa”. Para repetir tanto, é preciso ter presença, disciplina, resistência, pontualidade, inteligência corporal, capacidade de adaptação e, principalmente bebê, confiança das equipes criativas. Modelo recordista não é só quem apareceu mais. É quem foi escolhido mais vezes para traduzir universos diferentes sem desaparecer dentro deles.

Em um evento que nasceu em grande escala, reunindo moda, negócios, cultura e diversão, Ana Lopes e Rafael Fonseca se tornaram dois dos rostos mais recorrentes da temporada. Não porque estavam tentando aparecer… Mas porque funcionaram. E funcionar na passarela, darling, é uma arte muito mais complexa do que muita gente imagina olhando do conforto da fila A com celular na mão e opinião pronta no Stories.
Ana Lopes tem uma trajetória daquelas que a moda brasileira deveria narrar com mais cuidado e menos preguiça. Antes da carreira como modelo, ela trabalhava em um mercado de sua cidade natal, como operadora de caixa e repositora. Foi revelada em 2019 e hoje figura entre as apostas da WAY Model, agência associada a nomes que marcaram a indústria nacional e internacional, como Carol Trentini, Alessandra Ambrosio e Candice Swanepoel.
Desde então, Ana já atuou em Milão, participou de campanhas de moda e beleza, fez editoriais para revistas como Vogue e desfilou na São Paulo Fashion Week. Mas existe um dado precioso em sua história que ajuda a entender sua presença: antes da passarela, houve o esporte. Ana se dedicou ao handebol desde os 12 anos e chegou a conquistar o título de melhor jogadora do Campeonato Mineiro de Handebol.

O handebol ensina deslocamento, prontidão, explosão, leitura de espaço, resistência e tomada rápida de decisão. Tudo o que, de outro modo, a passarela também exige. A diferença é que, na moda, em vez de bola, há look. Em vez de placar, há imagem. Em vez de torcida, há uma plateia tentando parecer blasé enquanto filma tudo. E Ana, pelo visto, aprendeu cedo a ocupar espaço sem pedir desculpa por existir nele.
Ela mesma já contou que tudo começou quando tinha 14 anos… Sua mãe trabalhava em uma casa de família quando um scouter ofereceu uma carona e comentou sobre uma seletiva de modelos. A partir daí, a história foi ganhando corpo, agência, passarela, campanha e temporada. Ana fala sobre determinação, objetivos e sobre ocupar seu espaço sabendo que merece estar ali.

Porque existe uma diferença enorme entre estar em uma passarela e ocupar uma passarela. E convenhamos, mon amour… Ana ocupa. Não faz tipo. Não parece pedir licença. Não entra como quem está testando se pode. Entra como quem sabe que trabalhou para estar ali. E, em uma temporada com 13 desfiles no currículo, fica difícil fingir que isso é acaso.

Rafael Fonseca também chega com uma história que merece ser lida além da estatística. Carioca, 19 anos, começou a carreira como modelo em 2022 e também faz parte do casting da WAY Model. Antes mesmo da moda profissional, já gostava de tirar fotos para o Instagram, montar looks e criar cenários. Ou seja, antes da indústria nomear aquilo como potencial, Rafael já estava brincando com imagem, pose, roupa, enquadramento e performance… Tô ligado!
Hoje, ele reúne campanhas para marcas como H&M, Mondepars, Zara e Adidas, editoriais para Harper’s Bazaar, Elle e L’Officiel, além de passagens pela São Paulo Fashion Week. Fora da moda, gosta de desenhar, nadar e dançar. Começou dançando Michael Jackson, virou fã declarado do artista, passou pelo k-pop e chegou a se apresentar em pequenos eventos de anime, inclusive vencendo campeonatos.

Agora, vamos combinar: isso é repertório corporal puro, baby. Michael Jackson, k-pop, evento de anime, dança, pose, foto, look, cenário. Parece um moodboard de geração Z antes mesmo da moda descobrir que geração Z também sabe construir imagem sem pedir autorização para editor nenhum, darling. Rafael já vinha treinando presença antes de a passarela virar profissão. E presença, meus amores, não se compra em showroom não.
Aos 19 anos, somar sete desfiles em uma edição de retomada do Rio Fashion Week é um sinal importante. Não apenas de beleza, porque beleza sozinha no mercado de moda é quase como Wi-Fi ruim em evento de luxo: existe, mas não sustenta nada. O que sustenta carreira é consistência. É entrega. É repetição. É fazer uma marca confiar em você hoje e outra confiar amanhã. É atravessar universos distintos sem virar figurante da própria imagem.

Rafael declarou que busca representar pessoas que não tiveram oportunidades. E convenhamos, mon petit, a frase tem peso porque não soa como slogan pronto… Ela se conecta a uma geração que entende a moda não apenas como sonho individual, mas como possibilidade de presença e linguagem. Estar ali, desfilar, trabalhar, ser escalado e ser lembrado também é abrir caminho. E abrir caminho, na moda, continua sendo um ato de persistência. Às vezes glamouroso. Muitas vezes cansativo. Quase sempre mal compreendido por quem acha que modelo “só anda”.
Só anda?
Meu amor, quem acha que modelo só anda deveria ser obrigado a fazer três provas de roupa, esperar cinco horas no backstage, trocar de look em dois minutos, entrar com sapato desconfortável, manter a postura, não errar o tempo da música e ainda sair bonito na foto do fotógrafo que pegou exatamente o momento em que o pé quase virou. Aí a gente conversa. Com carinho… Ou não. (Segura meu poodle!)

O Rio Fashion Week foi realizado pela IMM, empresa de esportes e entretenimento que assina eventos como Rio Open, Cirque du Soleil, Taste e SPFW. Essa edição babadeira contou com 30 marcas patrocinadoras e 60 expositores. O formato ampliou a ideia de semana de moda para além dos desfiles, com uma grande exposição sobre a alta costura do Carnaval, que amei, festas diárias, 33 ativações de marca, 46 talks sobre o setor e sete operações de gastronomia… ufa!
Ou seja, honey Lee: não estamos falando de uma agenda pequena, tímida, montada no improviso e iluminada por ring light cansada. Estamos falando de uma operação robusta, com ambição institucional, estrutura de entretenimento, presença de marcas, diálogo com turismo, ocupação urbana e uma tentativa clara de reposicionar o Rio como território estratégico da moda nacional.

Segundo o estudo “Rio Fashion Week 2026: Potenciais Impactos Econômicos”, realizado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e de Turismo, a semana de moda movimentou cerca de R$ 100 milhões e gerou aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos, reforçando seu impacto na economia criativa e no setor de eventos no Rio de Janeiro.
Os dados da RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, ajudam a entender por que isso importa. O Rio conta com cerca de 6,6 mil empresas de moda, o equivalente a 4,6% do total da cidade. No mercado de trabalho, são 49,2 mil empregos formais e 41,7 mil MEIs, totalizando mais de 90 mil profissionais entre criativos, técnicos e empreendedores, com uma massa salarial anual estimada em R$ 3,7 bilhões… é muito zero, bebê!

A moda carioca, portanto, não é só biquíni bonito, vestido fluido, pôr do sol em Ipanema e aquela preguiça chic que o Brasil adora vender como se fosse identidade completa. A moda carioca também é cadeia produtiva, emprego, negócio, indústria, serviço, logística, imagem, turismo, técnica, comércio, evento, comunicação, beleza, gastronomia, cultura e, claro, passarela…
E passarela não existe sem modelo, né?
Por isso, Ana Lopes e Rafael Fonseca precisam ser olhados com mais atenção. Eles são parte central do funcionamento dessa máquina. Quando se fala em 174 quilômetros percorridos em passarela, alguém caminhou esses quilômetros. Quando se fala em 1.050 looks, alguém vestiu esses looks. Quando se fala em 20 desfiles, alguém entrou, saiu, trocou, esperou, voltou, segurou o olhar, manteve a postura e fez a roupa acontecer.
O evento movimentou milhões. Mas quem movimentou a imagem foram os profissionais que pisaram naquela passarela babadeira.

Número não é só número. Número é consequência, baby… Ana com 13 desfiles e Rafael com sete não significam apenas que eles foram “os mais escalados”. Significam que diferentes equipes enxergaram neles versatilidade, confiança e capacidade de entrega.
A edição de estreia do Rio Fashion Week também já deixou sua próxima etapa anunciada. A segunda edição está confirmada para meados de abril de 2027, novamente com apresentação da Prefeitura do Rio… Adoro!
O Rio voltou com número grande. Com 30 mil pessoas. Com 35 mil metros quadrados. Com 20 desfiles. Com 1.050 looks. Com 174 quilômetros percorridos. Com R$ 100 milhões estimados em movimentação econômica. Com 30 patrocinadores. Com 60 expositores. Com ativações, talks, gastronomia, Carnaval, Sapucaí, Palácio da Cidade, Museu do Amanhã e Pier Mauá.

Abalou Bangu? Abalou. Mas também abalou a planilha, a agenda, o mercado e o calendário.
E no meio disso tudo, Ana Lopes fez 13 desfiles e Rafael Fonseca fez sete…
E, mon amour, quando dois modelos atravessam tantas vezes uma temporada desse porte, o mínimo que a gente pode fazer é parar, olhar e entender o que esse movimento revela.

Porque a moda, no fundo, sempre se anuncia assim: primeiro pelo passo. Depois pela imagem. Depois pela memória… Ana e Rafael deram os passos.
Agora cabe à indústria não fingir que não viu.
O babado é certo e olho neles, bebê!
Foto: Divulgação
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