Shirley Mallmann leva carreira de supermodelo ao Iguatemi Talks Fashion

Pioneira da geração que abriu as passarelas internacionais para as brasileiras, Shirley divide painel com Anderson Baumgartner no dia 21 de outubro, em São Paulo

Por Fabio Lage – House of Models

Antes de o sobrenome Bündchen virar quase uma disciplina obrigatória no vocabulário da moda internacional, a supermodel Shirley Mallmann já estava lá, meu bem… E não, mon amour, isso não é arqueologia fashion.
A gaúcha de Santa Clara do Sul foi uma das brasileiras que ajudaram a mudar, ainda nos anos 1990, a percepção internacional sobre as modelos produzidas por aqui, muito antes de o país viver aquela espécie de febre verde-amarela que tomou as passarelas mais babadeiras do mundo, campanhas e editoriais na virada do milênio. Aos 49 anos, Shirley continua trabalhando como nunca e agora volta a São Paulo para falar justamente sobre uma coisa que conhece menos por teoria e mais por quilometragem: como se constrói uma carreira brasileira no mercado global.

A supermodelo é uma das atrações confirmadas da 10ª edição do Iguatemi Talks Fashion, que acontece nos dias 20 e 21 de outubro, no JK Iguatemi. Shirley participa do painel “Moda Brasileira, Passarelas Globais”, no dia 21, às 13h, ao lado do badalado empresário Anderson Baumgartner, fundador da WAY Model e da WAY Star. O evento reúne profissionais de diferentes áreas para discutir mercado, criatividade, comportamento, negócios e as transformações da indústria da moda… ui ui ui, que babado!

No caso de Shirley, falar em mercado global não exige PowerPoint… Sua própria carreira resolve a apresentação, né bebê?!

Antes da moda, ela trabalhava em uma fábrica de calçados em Lajeado, no Rio Grande do Sul. Em 1995, mudou-se para São Paulo e começou a construir uma trajetória que rapidamente escaparia das fronteiras brasileiras. No ano seguinte, um encontro com a fotógrafa alemã Ellen von Unwerth ajudaria a acelerar sua entrada definitiva no circuito internacional. Em uma entrevista à Vogue americana anos depois, Shirley lembraria que chegou a Nova York aos 19 anos, praticamente saída da vida rural, sem ter crescido imaginando uma carreira como modelo.

Alexander McQueen, Prada, Miu Miu, Chanel, Dolce & Gabbana, Valentino, Dior, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton, John Galliano… Shirley atravessou algumas das casas e passarelas mais importantes de sua geração, acumulando ainda capas, editoriais e campanhas em um período em que chegar ao topo da indústria internacional significava depender de um sistema muito menos imediato e infinitamente menos instagramável do que o atual. A própria Vogue americana, ao dedicar a ela uma edição de seu Model Wall, em 2010, relembrou trabalhos para McQueen, Alberta Ferretti, Miu Miu e Dolce & Gabbana.

Em 2006, ao reconstruir sua trajetória, a modelo foi descrita como a primeira top model brasileira de grande projeção internacional anterior à explosão babadeira de Gisele Bündchen. A comparação é útil menos como campeonato, querides… porque transformar história da moda em pódio é uma preguiça danada, e mais para localizar Shirley corretamente na cronologia. Quando a chamada Brazilian Wave ganhou proporções gigantescas, ela já tinha passaporte carimbado, campanhas importantes e temporadas internacionais nas costas… E talvez por isso exista tanto material para uma conversa sobre carreira que vá além da nostalgia dos anos 1990.

Shirley atravessou uma indústria que mudou brutalmente. Viu a modelo sair de uma estrutura comandada quase exclusivamente por revistas, fotógrafos, estilistas, diretores de casting e grandes campanhas para um ecossistema em que redes sociais, imagem própria, audiência e posicionamento passaram a conviver com aquilo que acontece diante da câmera. E fez algo ainda mais difícil, honey Lee: continuou trabalhando enquanto o mercado mudava em volta dela… Porque entrar é uma coisa. Permanecer, darling, já é outra ciência.

Shirley Mallmann estrela a nova capa da The Perfect Magazine

A história de Classique, sem lenda urbana fashion

Entre as imagens mais reconhecíveis da carreira de Shirley está sua associação a Classique, a primeira fragrância feminina de Jean Paul Gaultier.
Em 2001, ela foi escolhida como rosto de uma nova campanha do perfume, com direção de arte do próprio Gaultier e fotografias de Jean-Baptiste Mondino. A associação foi tão forte que acompanhou a memória de sua carreira durante décadas.

Classique foi lançado em 1993, anos antes daquela campanha com Shirley. A maison Jean Paul Gaultier explica que o frasco nasceu da relação do estilista com o espartilho, elemento que já fazia parte de seu vocabulário desde o início dos anos 1980 e que acabaria se tornando um dos códigos mais reconhecíveis de seu trabalho. Quando Shirley entrou em cena, em 2001, o busto de Classique já era um ícone. Ela não inspirou o frasco, mas ajudou a dar um dos rostos mais memoráveis à fragrância.

De um lado da mesa, a modelo. Do outro, quem constrói carreiras

A presença de Anderson Baumgartner, conhecido no mercado como Dando, torna o painel especialmente bem interessante… Fundador da WAY Model em 2007 e da WAY Star em 2019, Anderson atua justamente do outro lado dessa engrenagem, na representação e administração de carreiras. Hoje, suas empresas trabalham com nomes da moda e do entretenimento como Alessandra Ambrósio e Tatá Werneck, enquanto Shirley é representada no Brasil pela WAY Model.

Convenhamos, mon petit do sul… colocar os dois na mesma conversa oferece uma possibilidade mais interessante do que simplesmente recordar grandes desfiles. De um lado está alguém que viveu na pele a internacionalização de uma carreira quando o Brasil ainda começava a ocupar aquele espaço. Do outro, um agente que trabalha no mercado contemporâneo, em que uma modelo precisa negociar longevidade, posicionamento, publicidade, presença digital, contratos e identidade em um cenário completamente diferente daquele dos anos 1990… É nessa distância entre as duas épocas que o talk pode encontrar seu melhor assunto.

Porque colocar uma brasileira numa grande passarela internacional rende foto, clipping e, hoje, alguns milhares de compartilhamentos. Transformar essa aparição em carreira é outra história. Fazer essa carreira atravessar décadas, mudanças estéticas, transformações econômicas e a obsessão quase infantil da moda pela próxima novidade…

Ui ui ui… Aí estamos falando de Shirley Mallmann, bebê.

A 10ª edição do Iguatemi Talks Fashion acontece nos dias 20 e 21 de outubro de 2026, no JK Iguatemi, em São Paulo. O painel “Moda Brasileira, Passarelas Globais”, com Shirley Mallmann e Anderson Baumgartner, está previsto para 21 de outubro, às 13h. A programação e a venda de ingressos estão disponíveis no site oficial do evento.

Iguatemi Talks Fashion 2026: programação e ingressos

Foto: Divulgação

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Fábio Lage
Fábio Lage é jornalista de moda, fundador e editor-chefe do House of Models. Há mais de 20 anos cobre modelos, casting, carreiras, campanhas, fashion weeks e os movimentos da indústria da moda brasileira e internacional.