Entre estreias, exclusividades, openers, contratos recorrentes e nomes que já transformaram grandes maisons em endereço conhecido, selecionamos 20 brasileiras que ajudam a contar o que aconteceu nas passarelas de Nova York, Londres, Milão e Paris.
Por Fabio Lage – House of Models
A temporada internacional de prêt-à-porter Verão 2027 terminou em Paris na terça-feira, 6 de outubro, mas, antes que a indústria recolha as cadeiras, guarde o salto, abra o Excel e comece a fingir que está descansando antes da próxima semana de moda, há uma história brasileira bastante interessante atravessando esses últimos quatro circuitos, honey… E não estou falando simplesmente de quantidade.
Contar modelos brasileiras em Nova York, Londres, Milão e Paris é importante… e nós, no House of Models, sabemos disso talvez até demais, vide nossas planilhas que já adquiriram personalidade própria durante esta temporada… mas números sozinhos não explicam muita coisa. O que interessa mesmo começa quando a gente olha quem são essas meninas, de onde vieram, em que momento da carreira estão e, principalmente, quem decidiu colocá-las naquela passarela.
Porque existe uma diferença enorme entre aparecer em um desfile e começar a construir uma relação de confiança com o mercado.
Nesta SS27, encontramos de tudo um pouco: menina fazendo a primeira viagem internacional da vida e entrando diretamente na Prada; modelo estreando em Paris com quatro trabalhos importantes; brasileira abrindo desfile; veterana reencontrando maisons que conhece há anos; modelo de prova de uma das casas mais importantes de Londres; e uma turma novíssima que, até pouco tempo atrás, estava cursando informática, trabalhando como trancista, vivendo no campo ou simplesmente tentando imaginar como seria chegar a uma Fashion Week… É aí que a história fica boa, bebê.
Esta não pretende ser a lista definitiva de brasileiras da temporada… nosso pente-fino de casting é outra novela, com outros capítulos e algumas planilhas capazes de provocar gastrite até em monge tibetano. Aqui, o recorte é outro: 20 trajetórias brasileiras que ajudam a entender a SS27 para além do placar.
Porque modelo não é figurante de coleção, darling… No House of Models, nunca foi.

Kaia Ferreira: de Queimados para a Prada
Existem estreias e existe sair de Queimados, na Baixada Fluminense, fazer a primeira viagem internacional da vida e descobrir que o primeiro desfile fora do Brasil será justamente para a Prada.
Aos 18 anos, Kaia Ferreira entrou nesta temporada sob contrato de exclusividade com a casa italiana e, depois, ainda apareceu poderosa na Loewe. Para uma primeira temporada, honey Lee, já podemos concordar que a régua começou ligeiramente inconveniente para qualquer comparação futura.
Lançada pela WAY Model em 2024, Kaia já havia passado pela São Paulo Fashion Week, mas sua vida antes da moda internacional ajuda a devolver alguma proporção humana àquela imagem que vemos andando por uma passarela milanesa: ela trabalhava como trancista, estudava informática e se preparava para começar a faculdade de perícia.
“Foi meu primeiro desfile internacional e foi também a primeira vez que fiz uma viagem internacional”, contou.
E talvez esteja justamente aí uma das imagens mais bonitas desta temporada: antes da Prada existe Queimados. Antes do casting existe uma vida inteira acontecendo… Ui ui ui, que babado!

Ana Roveda: uma estreia parisiense nada tímida
Ana Roveda chegou a Paris como estreante internacional e saiu da temporada com Valentino, Dries Van Noten, Carven e Vaquera no currículo… Nada mal para dizer bonjour pela primeira vez.
Natural de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Ana tem 21 anos e surgiu através do badalado concurso The Look of The Year. Em 2020, em plena pandemia, sua entrada no mercado aconteceu de uma maneira bastante simbólica daquele período esquisitíssimo que todos preferimos fingir que foi um delírio coletivo: videochamadas, seleções remotas, câmera ligada e o quarto de casa transformado em porta de entrada para uma carreira internacional.
E Ana acabou entre as finalistas e assinou seu contrato com a agência JOY Management.
Antes disso, fez patinação artística e curso técnico em Design de Moda. Talvez ajude a explicar uma familiaridade com movimento, roupa e corpo que agora começa a ser testada numa escala muito maior.

Samara Sampaio: Maranguape encontra Rick Owens
Tem alguma coisa especialmente deliciosa na distância entre uma casa de pau a pique no interior do Ceará e a passarela de Rick Owens em Paris… E é justamente nesse espaço improvável que aparece a modelo Samara Sampaio.
Nascida em Maranguape, a modelo de 22 anos fez nesta temporada o primeiro desfile internacional da carreira. Antes disso, sua vida estava ligada ao campo, à casa onde cresceu com a mãe e os irmãos e aos períodos que passava com o pai, colhendo frutas, cuidando dos animais e vivendo uma realidade muito distante daquele universo quase litúrgico que cerca um show babadeiro de Rick Owens.
“Tenho muito orgulho de onde vim, amo meu lugar no meio do mato. Tenho muitas saudades. Lá, a gente tem a riqueza da simplicidade”, contou.
Samara foi descoberta em 2021, venceu um concurso de modelos, assinou com a WAY Model, passou pela SPFW e começou a construir campanhas e editoriais.
Mas existe ainda outra camada interessante: a gata pinta.
“A arte me ajudou a chegar até aqui”, diz.
Eu adoro quando a carreira de uma modelo começa a revelar coisas que nenhuma ficha de casting consegue registrar.

Lulu Yu: treze desfiles e uma estreia internacional
Agora respira, bebê… Mugler, Chloé, Dolce & Gabbana, Max Mara, Carolina Herrera, Acne Studios, Dries Van Noten, Michael Kors, Tommy Hilfiger, Fforme, Ulla Johnson, Khaite e Simkhai. Tudo isso na primeira temporada internacional da nossa BFF dos backstages Lulu Yu.
Pasmem… tudo isso aos 18 anos… É quase falta de educação, neah?!
Nascida em Florianópolis e revelada pela Thinkers Models em 2024, Lulu já havia construído uma base interessante no Brasil, com trabalhos para H&M, Cris Barros e Paula Raia e passagens por desfiles de Alexandre Herchcovitch, Osklen e Lenny Niemeyer.
Mas foi nesta temporada que a conversa mudou de escala, mon amour da Silva.
Enquanto algumas modelos precisam de temporadas para consolidar presença entre Nova York, Milão e Paris, Lulu chegou chegando… ocupando um espaço considerável logo de saída.
E existe vida fora do casting, graças a Deus: toca CDJ e fez sapateado durante cerca de seis anos… Ou seja, se a moda resolver dar cinco minutos de descanso para a menina, aparentemente ela tem outros planos… não se esqueça de por as pernas no alto bebê… elas também precisam de um descanso babadeiro.

Victoria Blecher: quando deixar de ser novidade também é vitória
Victoria Blecher apareceu nesta temporada em Jean Paul Gaultier, Isabel Marant, Celine, Balenciaga e Ralph Lauren.
A diferença é que, no caso da gata, já não estamos falando exatamente de uma modelo pedindo licença ao circuito internacional… Victoria estreou lá fora em julho de 2025 escolhida pela Celine sob exclusividade mundial. Desde então, nomes como Dior, Jacquemus e Chanel foram sendo adicionados ao currículo.
É uma transição importante na carreira de qualquer modelo: aquele instante em que o mercado deixa de observá-la como “new face” e começa a tratá-la como alguém que pode voltar.
Repetição, na moda, não é falta de imaginação… Para modelo, muitas vezes é justamente o contrário: é a tal da confiança, mon petit.
Representada no Brasil pela WAY Model, Victoria conta que sua relação com a moda começou ainda criança, assistindo a vídeos e desenhando croquis. Hoje ela observa aquelas roupas sendo construídas praticamente do lado de dentro… A fantasia mudou de endereço.

Isabel Alves: Ibipitanga entrou no mapa
Da pequena Ibipitanga, na Bahia, para Moschino, Carolina Herrera, Diane von Furstenberg, Blumarine e Coach. A modelo Isabel Alves tem 19 anos e estreou internacionalmente em março de 2026 de uma maneira nada discreta: Loewe… pah!
Mas nesta temporada, a bela expandiu a presença e começou a mostrar que aquele primeiro impacto não precisava ser tratado como acontecimento isolado.
Representada pela WAY Model, Isabel já contou uma trajetória marcada por obstáculos antes de chegar ao mercado profissional. E há algo muito poderoso na geografia dessas novas modelos brasileiras: lugares que raramente aparecem no mapa tradicional da moda começam a surgir ligados a algumas das maiores casas do mundo.
O casting internacional também pode redesenhar mapas, bebê!

Julia Barucci: presença já significa outra coisa
Valentino, Dries Van Noten, Carolina Herrera, Simone Rocha, Blumarine, Carven, Icicle, Lii e Area… A paulista Julia Barucci, aos 22 anos, já pertence a outro estágio desta conversa.
Natural de Lins, no interior de São Paulo, ela acumulou ao longo das últimas temporadas trabalhos para Dior, McQueen, Lanvin, Mugler, Fendi, Marni, Maison Margiela, Moschino e Valentino, entre outros nomes importantes.
Nesta SS27, voltou a atravessar diferentes mercados com uma agenda consistente e abriu o desfile da Area em Nova York.
E aqui vale prestar atenção em uma coisa: quando uma modelo brasileira deixa de aparecer ocasionalmente nesses castings para começar a circular com naturalidade entre eles, estamos diante de construção de carreira.
Pode parecer detalhe… Mas nunca é.

Sayonara Romão: do quintal da avó ao opener da Casablanca
A história de Sayonara Romão começa, literalmente, brincando de desfilar no quintal da avó em Maceió.
Nesta temporada, ela apareceu em Julie Kegels e Marie Adam-Leenaerdt e abriu a apresentação da Casablanca.
Opener.
Aquela primeira saída de backstage que parece apenas uma ordem de desfile, mas dentro da linguagem do casting carrega uma escolha bastante objetiva.
Sayonara ainda está no início da trajetória internacional. Em janeiro de 2026, estreou no circuito da maneira mais cinematográfica possível: Chanel Haute Couture, em Paris.
Nos bastidores, lembrou que cresceu vendo aqueles desfiles como algo praticamente inalcançável. A mãe trabalhava como frentista e, segundo ela, foi quem sustentou o sonho mesmo quando não havia recursos sobrando para isso.
Hoje, representada pela JOY Management, a menina que desfilava no quintal já sabe como é entrar primeiro numa passarela em Paris.

Larissa Moraes: Louis Vuitton como continuidade
Larissa Moraes apareceu nesta temporada na Louis Vuitton… Isoladamente, um desfile.
Só que carreira não pode ser lida isoladamente… A baiana de Salvador tem apenas 19 anos e já passou por Valentino, Jean Paul Gaultier, Balmain, Dior, Missoni, Miu Miu, Balenciaga, Chloé, Rabanne e Ann Demeulemeester, além da própria Louis Vuitton.
É justamente esse histórico que muda completamente o peso de uma participação… Larissa, representada pela WAY Model no Brasil, vem construindo uma espécie de intimidade precoce com o primeiro escalão da moda internacional.
E intimidade, nesse nível, não se compra com seguidor, baby.

Mariane Calazan: sete Chanels depois
Existe um momento delicioso na carreira de uma modelo em que a grande grife deixa de ser “o trabalho extraordinário que aconteceu” e começa a parecer quase um relacionamento.
Com Mariane Calazan, talvez possamos começar a conversar nesses termos… A mineira de Belo Horizonte, hoje com 30 anos, chegou a sete apresentações consecutivas para a Chanel desde sua estreia na maison, no Métiers d’Art de dezembro de 2025. Depois vieram alta-costura, prêt-à-porter e novas convocações.
Nesta temporada, além de Chanel, Mariane apareceu em Bottega Veneta, Cult Gaia, Casablanca, Heirlome, Diotima, Ashlyn e Conner Ives… É uma carreira especialmente interessante porque não nasceu ontem.
Descoberta enquanto passeava por um shopping, Mariane atravessou campanhas, trabalhos de beleza e temporadas em que esteve entre as modelos mais requisitadas da SPFW antes de alcançar esse novo capítulo internacional.
Representada pela WAY Model, a gata é um ótimo exemplo de que a obsessão da moda pela palavra “new” às vezes nos impede de enxergar uma coisa ainda mais interessante: permanência, honey.

Waleska Gorczevski: ela já conhece o caminho
Nessa temporada SS27, a top Waleska Gorczevski marcou presença na comentada passarela da maison Givenchy… Para quem acompanha modelo apenas quando aparece uma new face, pode soar como uma participação… Para quem acompanha carreira, é Waleska.
Prada, Chanel, Dolce & Gabbana, Kenzo, Stella McCartney, Mugler, Lanvin, Hermès, Marc Jacobs… Rankings internacionais… Temporadas gigantescas… E a campanha mundial de Chanel… tá bom para você?
Aos 28 anos, a catarinense faz parte daquela categoria de brasileiras que já atravessou diferentes fases do mercado e permaneceu relevante enquanto a indústria trocava designers, estéticas, castings e obsessões.
Representada pela Thinkers Models no Brasil, Waleska não precisa mais ser apresentada como promessa… Ela é repertório.

Eduarda Muehlmann: recorrência antes dos 20
Eduarda Muehlmann tem 19 anos, nasceu em São Bento do Sul, Santa Catarina, e nesta temporada apareceu em Rick Owens e Gabriela Hearst… Mas a estreia internacional aconteceu no início de 2025.
Desde então, Valentino, Givenchy, Alexander McQueen, Maison Margiela, Vetements e Lacoste entraram na história… nesta última, inclusive, como opener.
Talvez seja cedo para usar palavras definitivas, e eu fujo delas como modelo foge de teste marcado às sete da manhã do outro lado de Paris… Mas existe uma coisa objetiva acontecendo: recorrência. E recorrência tão cedo merece atenção.

Giovanna Lannes: a carioca que saiu de uma feira para o circuito
A modelo Giovanna Lannes nasceu no Rio de Janeiro e foi descoberta enquanto passeava por uma feira de moda, na Cidade Maravilhosa.
Aos 21 anos, a gata chega a esta temporada com Maison Margiela, Anteprima, Christopher Esber e Shiatzy Chen.
Sua estreia internacional aconteceu em 2025 com Carolina Herrera. Depois vieram Dior, Kenzo, Dolce & Gabbana, Altuzarra, Prabal Gurung, Giambattista Valli e Coach.
O Models.com já a colocou entre suas seleções de new faces promissoras, mas o mais interessante agora é observar justamente o que vem depois dessa primeira etiqueta.
Porque ser apontada como promessa é uma coisa… Sobreviver à temporada seguinte é outra, mon petit.
Representada pela WAY Model, Giovanna vem despontando nas passarelas internacionais e conquistado cada dia mais a alta moda.

Marcele Dal Cortivo: quando o corpo participa da criação
Talvez uma das relações mais fascinantes desta lista pertença a modelo Marcele Dal Cortivo… Natural de Marau, no Rio Grande do Sul, Marcele é há cerca de dois anos modelo de prova oficial da Alexander McQueen.
Traduzindo para quem olha apenas a passarela pronta: ela vive de perto o processo de construção da roupa. Peças são vestidas, testadas, ajustadas e modificadas em seu corpo dentro da maison, em Londres, muito antes de aquela coleção chegar diante das câmeras.
Nesta temporada, naturalmente, desfilou para McQueen.
Aos 32 anos, Marcele carrega ainda no currículo Stella McCartney, Louis Vuitton, Marc Jacobs, Celine, Maison Margiela, Giorgio Armani, Chalayan e The Row.
Representada pela JOY Management no Brasil, ocupa um lugar que talvez seja menos barulhento do que um viral de Fashion Week, mas tremendamente poderoso… Seu corpo não entra apenas no desfile, baby… Entra no processo.

Valeria Goettert: do campo para quatro mercados de linguagem muito diferente
Mulberry, Toga, CFCL e Mame Kurogouchi formaram a temporada da modelo Valeria Goettert.
Nascida em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, ela trabalhava na agricultura antes de ser descoberta e iniciar a carreira através da JOY Management.
“Nasci no campo, valorizo minhas raízes e o contato com a natureza”, já contou.
Hoje, aos 22 anos, seu currículo inclui Dior, Chanel, Valentino, Carolina Herrera, Armani e Issey Miyake.
É fácil transformar uma biografia dessas em narrativa açucarada sobre transformação de vida. Prefiro olhar para outra coisa: a quantidade de códigos estéticos diferentes em que Valeria consegue circular… Isso diz mais sobre modelo do que qualquer conto de Cinderela.

Leila Zandonai: longevidade também desfila
Nesta temporada a modelo Leila Zandonai desfilou para a maison Issey Miyake… Natural de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, a bela começou a carreira em 2011.
Sim, 2011.
Enquanto a indústria desenvolve uma pequena compulsão por descobrir a próxima menina antes mesmo que ela descubra onde fica o portão de embarque, é sempre saudável lembrar que carreira também é aquilo que consegue continuar.
Prada, Hermès, Givenchy, Lacoste, Olivier Theyskens, Nina Ricci, Stella McCartney e Issey Miyake fazem parte desse percurso.
Representada pela WAY Model, Leila estudou Teatro e mantém interesses ligados à alimentação e ao yoga.
Quinze anos depois de começar, segue entrando em casting importante… Essa talvez seja uma das estatísticas mais bonitas da lista.

Vitoria Rodrigues: da beleza para a passarela
Vitoria Rodrigues, de Gravataí, no Rio Grande do Sul, apareceu nesta temporada em The Blonds e Wiederhoeft.
Aos 26 anos, a brasileira já construiu uma presença especialmente forte no mercado de beleza, com campanhas para nomes de peso como L’Oréal, Dior e Maybelline.
Vitoria foi revelada em 2015 através do The Look of The Year e é representada pela JOY Management.
A trajetória de Vitoria aponta para outra coisa que o frenesi das temporadas às vezes apaga: uma carreira de modelo não existe apenas dentro das quatro semanas internacionais. Passarela é uma linguagem… Beleza é outra.
Já as melhores carreiras aprendem a transitar, bebê!

Leticia Dewes: Mulberry no radar
Natural de São Borja, no Rio Grande do Sul, a modelo Leticia Dewes tem 21 anos e apareceu nesta temporada no aguardado desfile da Mulberry.
Representada pela WAY Model, Leticia faz parte dessa nova safra brasileira que vai chegando ao circuito internacional sem muito alarde, mas ocupando espaços que merecem atenção… e, convenhamos, Mulberry não é exatamente um endereço qualquer para colocar no currículo, né, bebê?
A carreira ainda está naquele momento gostoso em que muita coisa pode acontecer e qualquer tentativa de transformá-la numa epopeia agora seria pura ansiedade nossa… calma, honey, deixa a menina trabalhar.
Mas é justamente por isso que vale colocar Leticia no radar… Porque uma temporada pode apresentar um nome… a seguinte começa a mostrar se aquele nome realmente encontrou lugar no mercado.
E nós estaremos de olho.

Beah Sá: de Belo Horizonte para as passarelas londrinas
A mineira Beah Sá apareceu nesta temporada nos desfiles de Bora Aksu e Mark Fast, em Londres.
Natural de Belo Horizonte, a modelo de 28 anos vive atualmente na Europa, onde mantém sua agenda de trabalhos, e é representada no Brasil pela Thinkers Models.
E gosto da presença de Beah nesta lista justamente porque ela ajuda a bagunçar um pouquinho aquela velha matemática da moda que parece acreditar que toda carreira precisa começar aos 17, explodir aos 18 e estar perfeitamente resolvida aos 20… calma lá, mon amour… Modelo não vem com prazo de validade impresso na nuca.
Existem carreiras que começam muito cedo, outras que encontram o mercado internacional depois, algumas avançam em velocidade supersônica e outras vão conquistando espaço aos poucos… o importante é entender que não existe um único roteiro.
E Beah está fazendo o dela.

Tainara Dapper: dez anos depois, Londres
A história da gaúcha Tainara Dapper talvez seja uma das mais interessantes para fechar essa seleção.
Natural de Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, Tainara começou a carreira em 2016, através de uma seleção de modelos, e nesta temporada, aos 23 anos, fez sua estreia internacional desfilando para Bora Aksu, em Londres.
Sim, bebê… 2016.
Enquanto a moda ama vender aquela historinha deliciosa da menina descoberta ontem no supermercado e hoje abrindo uma maison em Paris, existem também carreiras construídas durante anos, entre testes, trabalhos, temporadas, expectativa e persistência… E talvez a gente fale pouco sobre elas.
Representada pela JOY Management, Tainara levou praticamente uma década entre os primeiros passos na profissão e a estreia numa Fashion Week internacional.
Isso não torna a história menos extraordinária… muito pelo contrário. Num mercado cada vez mais apaixonado pela velocidade, permanecer também é uma forma de resistência.
Agora começa outro capítulo… E a gente vai assistir, honey.
Vinte brasileiras e nenhuma história igual à outra
Depois de passar por esses 20 nomes, talvez fique mais fácil perceber por que reduzir uma temporada internacional a números nunca me pareceu suficiente.
Claro que os números importam. Booking importa. Abrir desfile importa. Exclusividade importa. Repetição importa pra caramba… principalmente quando estamos tentando entender quem realmente está construindo carreira dentro desse mercado.
Mas existe uma história antes de cada nome escrito numa casting list… Kaia Ferreira saiu de Queimados para fazer sua primeira viagem internacional e estrear na Prada. Samara Sampaio saiu de Maranguape e encontrou Rick Owens em Paris. Lulu Yu resolveu praticamente fazer hora extra logo na temporada de estreia e saiu com uma lista de trabalhos capaz de causar tendinite só de escrever. Sayonara Romão brincava de desfilar no quintal da avó e, anos depois, abriu Casablanca. Mariane Calazan chegou à sétima apresentação consecutiva para Chanel. Marcele Dal Cortivo participa da construção das roupas dentro da McQueen. Waleska Gorczevski continua atravessando temporadas depois de anos no topo. Tainara Dapper esperou uma década para fazer sua estreia internacional.
Olha a diferença entre essas histórias… É justamente isso que me interessa.
Porque durante muito tempo o mercado internacional aprendeu a reconhecer a modelo brasileira através de um arquétipo bastante específico. Alta, sexy, bronzeada, cabelos ao vento e aquela imagem exportação que ajudou a construir carreiras absolutamente gigantescas… e que merece todo o crédito pela história que escreveu.
Mas o Brasil nunca coube apenas ali… E talvez uma das coisas mais interessantes dessa nova geração seja justamente assistir esse mapa aumentar diante dos nossos olhos.
Tem Queimados na Prada. Maranguape em Rick Owens. Ibipitanga entre Moschino e Carolina Herrera. Novo Hamburgo chegando a Valentino. Maceió abrindo Casablanca. Belo Horizonte encontrando Chanel. Marau vivendo por dentro da Alexander McQueen. São Bento do Sul em Rick Owens. Rio de Janeiro na Maison Margiela. Santa Cruz do Sul atravessando Mulberry, Toga, CFCL e Mame Kurogouchi.
E isso, para mim, diz muito mais sobre a presença brasileira nesta temporada do que qualquer placar… Porque não estamos falando apenas de modelos brasileiras desfilando lá fora… estamos falando de pedaços muito diferentes do Brasil entrando em algumas das salas mais poderosas da moda mundial.
Tem menina que trabalhava como trancista. Tem quem vivia na agricultura. Tem pintora. Tem DJ. Tem quem estudou Design de Moda, quem desenhava croquis quando criança, quem começou há um ano e quem já está nessa estrada há mais de uma década.
E todas essas histórias, em algum momento das últimas semanas, chegaram a Nova York, Londres, Milão ou Paris.
Talvez seja justamente por isso que eu insista tanto em olhar para casting, honey Lee da Silva… Porque quando o desfile termina, as luzes apagam e aquele exército de gente corre para comentar bolsa, vestido, styling, diretor criativo e tendência da estação, aquelas modelos continuam existindo.
Elas têm nome…Têm cidade… Têm história… Têm carreira sendo construída…. E, principalmente, têm um amanhã que não cabe numa única temporada.
É aí que o House of Models entra… Porque roupa a gente vê em todo lugar, bebê… Modelo a gente acompanha.
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