E começa a alta-costura em Paris com aquele ritual babadeiro já conhecido: convites raros, bordados impossíveis, clientes discretíssimas, celebridades estrategicamente sentadas e vestidos que parecem nascer já destinados ao tapete vermelho, ao museu ou ao cofre climatizado de alguma bilionária que não precisa explicar nada para ninguém. Mas, desta vez, mon amour, o babado não está apenas nos bordados.
Por Fabio Lage – House of Models
A Semana de Alta-Costura Fall/Winter 2026-2027, realizada entre 6 e 9 de julho no circuito oficial da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, chega com uma sequência de desfiles preciosos e com uma prova pública de sucessão criativa de abalar Bangu. Paris está apenas abrindo seus ateliês e está testando novos comandos, recalibrando arquivos, medindo desejo e perguntando quais designers ainda conseguem fabricar sonho em um mundo que já viu tudo em 4K antes mesmo do segundo café da manhã. O destaque da temporada é a alta-costura Paris 2026.
E, quando uma maison entra em fase de virada, nada é detalhe, mon petit… Nem o primeiro look. Nem o último. Nem a trilha. Nem a cadeira ocupada na primeira fila. Muito menos o casting… Porque na alta-costura, casting não é volume. É senha.
Não é apenas uma nova era na moda; é também uma nova narrativa que se desenrola na alta-costura Paris 2026.
São poucos looks, poucos corpos e muita mensagem institucional. Uma modelo escolhida para uma maison está ajudando aquela casa a apresentar uma nova versão de si ao mundo. Quem abre, quem fecha, quem volta, quem some e quem aparece de surpresa também conta a história da temporada. Só que sem release, sem legenda explicativa e, às vezes, sem que o público perceba de primeira. Atura ou surta, bebê: na moda, o silêncio também fala… E muito. Ui ui ui!

O que esperar da alta-costura Paris 2026
Esta temporada de alta-costura tem uma concentração rara de expectativas. Pierpaolo Piccioli apresenta sua primeira couture para Balenciaga. Duran Lantink estreia na alta-costura de Jean Paul Gaultier. Jonathan Anderson retorna para seu segundo ato couture na Dior. Matthieu Blazy apresenta seu segundo momento couture na Chanel. Maria Grazia Chiuri leva sua primeira couture da Fendi para Roma. Standing Ground entra no calendário como guest house. Manish Malhotra leva o imaginário de Bollywood para o radar parisiense. E Olivier Theyskens ronda a semana com Boloria, seu novo projeto de romantismo gótico lançado às margens do calendário oficial.
Ou seja: não é uma temporada apenas para olhar vestidos. É uma temporada para observar linguagem.
A alta-costura sempre ocupou esse lugar meio absurdo e fascinante dentro da moda. Não move o mercado pelo volume direto de vendas, não disputa prateleira como produto comum e não precisa fingir que é democrática para existir. Ela opera em outro campo: imagem, reputação, arquivo, desejo, cliente privado, red carpet, editorial, museu, campanha, lenda. É indústria e mitologia ao mesmo tempo. Arte aplicada com boleto, bordado com estratégia, sonho com departamento jurídico.
Quando a couture funciona, ela contamina todo o resto. Um gesto de passarela vira referência para tapete vermelho. Uma silhueta vira campanha. Um styling vira linguagem. Um casting vira posicionamento. Uma modelo nova pode sair dali com outro tipo de atenção. Uma veterana pode voltar como monumento vivo. Uma celebridade pode entrar como ruído calculado. E uma ausência pode dizer mais do que muita presença perfumada.
Nesta semana, o House of Models olha menos para a fantasia óbvia do luxo e mais para a engrenagem que sustenta esse teatro caríssimo. Quem está tentando se reposicionar? Quem está defendendo arquivo? Quem está usando corpo como manifesto? Quem vai entregar ideia e quem vai tentar esconder falta de ideia atrás de bordado? Porque, convenhamos, nem todo vestido dramático é narrativa. Às vezes é só pano caro gritando por atenção… Deus me FREE.

Balenciaga: o desfile que pode redefinir o tom da semana
Se existe um desfile com peso de acontecimento nesta temporada, ele atende pelo nome Balenciaga, meu bem.
Pierpaolo Piccioli chega à couture da maison carregando uma expectativa quase litúrgica. Não apenas por ser sua primeira alta-costura na casa, mas porque Balenciaga não é uma marca qualquer quando o assunto é couture. Cristóbal Balenciaga foi chamado de mestre por gente que não costumava distribuir elogio como brinde de press kit. A arquitetura da roupa, a relação com volume, silêncio, construção e autoridade fizeram da maison uma espécie de templo da forma.
Depois, no período recente, Demna Gvasalia devolveu a Balenciaga ao calendário couture em 2021 e transformou essa volta em um laboratório de tensão contemporânea. A casa revisitou sua própria solenidade, mas também aceitou o atrito com celebridade, cultura pop, subversão e uma certa estranheza calculada. Teve glamour, teve ruído, teve jeans de couture, teve celebridade em passarela, teve debate… Ou seja: teve moda viva, para o bem e para o mal.
Agora a era Balenciaga é Piccioli.
E Piccioli não é novato na alta-costura, bem bem… Seu trabalho na Valentino ajudou a recentralizar cor, emoção, monumentalidade e presença dentro de um vocabulário couture que muitas vezes parecia preso entre nostalgia e espetáculo. Ele sabe construir beleza com escala. Sabe fazer cor parecer argumento. Sabe transformar roupa em imagem de memória. Mas Balenciaga pede outra coisa, bebê. Pede arquitetura. Pede corte. Pede rigor. Pede uma solenidade menos romântica e mais estrutural… sabe?
A pergunta, então, não é se Piccioli sabe fazer couture. Ele sabe.
A pergunta é: que Balenciaga ele quer fabricar?

Ele vai romantizar a maison? Vai restaurar uma solenidade quase religiosa? Vai dialogar com a arquitetura de Cristóbal sem virar aluno aplicado de arquivo? Vai manter algum atrito contemporâneo herdado do período Demna ou vai limpar a imagem da casa em busca de uma nova gravidade? E, mais importante para o HofM: que corpos ele vai escolher para anunciar essa mudança?
E cá entre nós… soubemos por fontes quentissimas que os diretores de casting da Balenciaga estão atrás de modelos body positive… Ui ui ui, honey Lee; já estava na hora de uma mudança nesse aspecto dos castings… não acham?
O casting de Balenciaga pode ser uma das chaves da semana. Se vier com modelos de construção mais clássica, pode indicar desejo de reordenação. Se vier com new faces de impacto, pode sugerir frescor sem abandonar autoridade. Se trouxer celebridades, veteranas ou retornos simbólicos, o recado muda. Em uma estreia desse tamanho, ninguém entra por acaso. Ou, pelo menos, não deveria.

Gaultier entrega a provocação a Duran Lantink
Jean Paul Gaultier sempre foi uma casa onde o corpo nunca entrou pedindo licença. Entrou de corset, de marinheiro, de peito para fora, de ironia acesa, de gênero embaralhado, de erotismo assumido, de humor e de teatro. Gaultier entendeu cedo que moda não precisava escolher entre técnica e provocação. Podia ser as duas coisas, baby. Podia ser couture e cabaré. Podia ser corpo político e piada inteligentíssima. Podia ser santo, profano e um pouco cafajeste, tudo no mesmo look… Ai ai ai, que delicinha!
Agora, Duran Lantink chega à couture da casa com uma missão perigosa: provocar uma maison que já nasceu provocadora.
Esse é o tipo de desafio que parece delicioso no papel e perigosíssimo na passarela. Porque não basta ser estranho dentro de Gaultier, honey… A casa já conhece o estranho. Não basta deformar corpo, brincar com proporção ou cutucar o bom gosto. Gaultier já fez isso com humor, técnica e precisão pop. A questão é se Lantink conseguirá transformar sua inquietação em linguagem couture ou se ficará preso ao efeito de superfície, aquele “olha como sou ousado” que às vezes cansa antes do terceiro look…
Mas convenhamos, mon petit de Xique-Xique… o potencial é enorme.

Lantink tem um gosto pelo deslocamento, pela distorção, pela tensão entre corpo e artifício. Dentro da couture, isso pode ganhar uma densidade bem interessante. A alta-costura oferece tempo, mão, construção, exagero e acabamento para que a provocação deixe de ser apenas gesto e vire objeto. Se ele encontrar a medida, Gaultier pode entregar um dos desfiles mais comentados da semana. Se errar, também pode entregar um dos mais comentados. O que, convenhamos, em Jean Paul Gaultier, não deixa de ser uma tradição.
Para o casting, a pergunta será muito clara: quem sustenta esse tipo de roupa sem virar caricatura? Gaultier sempre dependeu de personalidade. Não basta corpo bonito…. Precisa ter presença. Precisa ter humor. Precisa entender o game. Precisa desfilar como quem sabe que a roupa está piscando para a história da moda e dando uma língua para o bom gosto no mesmo movimento.
Ui ui ui, mon amour do céu… Pode vir babado. Pode vir meme. Pode vir genialidade. Pode vir tudo junto.

Chanel e Dior precisam transformar estreia em assinatura
Se Balenciaga e Jean Paul Gaultier concentram o barulho das grandes estreias, Chanel e Dior carregam outro tipo de pressão: a do segundo ato.
uma estreia sempre tem suas indulgências… O mercado observa, interpreta, especula, compara, perdoa algumas hesitações e tenta entender para onde a casa está indo. O segundo momento é diferente. No segundo ato, a pergunta deixa de ser “quem chegou?” e passa a ser “chegou para dizer o quê?”.

Matthieu Blazy na Chanel tem uma tarefa delicadíssima. Chanel é uma maison de códigos tão fortes que qualquer gesto vira negociação com fantasma. Tweed, camélia, pérola, corrente, preto, branco, bege, bolsa, salão, Gabrielle, Karl, Virginie, Grand Palais, cliente, perfume, poder institucional. Tudo ali já vem carregado. O risco é virar prisioneiro do próprio vocabulário. O desafio é fazer Chanel continuar sendo Chanel sem parecer uma vitrine de lembrancinhas muito caras do passado.

Blazy tem inteligência de matéria, de construção e de superfície como poucos. Seu trabalho anterior mostrou habilidade em fazer o luxo parecer menos óbvio, menos logomaníaco, mais tátil e mais pensado. Na couture da Chanel, a questão será se ele conseguirá transformar gesto técnico em assinatura reconhecível. Leveza é linda. Construção é linda. Delicadeza é linda. Mas, em Chanel, beleza sem autoridade pode virar suspiro bem vestido. E Chanel não sobrevive de suspiro, baby. Sobrevive de código.

Já Jonathan Anderson na Dior enfrenta outro tipo de encruzilhada. Anderson é um designer de inteligência formal, humor estranho, deslocamento e tensão entre arte, roupa e objeto. Na Dior, porém, o arquivo é imenso e a expectativa é brutal. A Dior é uma máquina histórica, comercial e simbólica. Tem New Look, tem red carpet, tem perfume, tem cliente, tem museu, tem celebridade, tem bolsa, tem herança francesa embalada para consumo global.

O segundo ato couture de Anderson precisa mostrar se sua Dior será laboratório de forma, diálogo com arquivo, nova gramática de red carpet ou uma combinação mais complexa disso tudo. A alta-costura é um espaço perfeito para ele trabalhar volume, escultura e estranhamento sofisticado. Mas Dior também cobra legibilidade. Uma maison desse tamanho não pode se comunicar apenas com iniciados. Precisa falar com o mercado, com a imprensa, com a cliente e com a imagem pública.
Em Chanel e Dior, o casting também será extremamente fundamental. Quem essas casas escolhem para carregar seus segundos atos? Modelos de impacto silencioso? New faces? Nomes já consagrados? Corpos mais clássicos? Presenças mais inesperadas? Em casas desse porte, o casting raramente é só elenco… É manifesto com salto nas alturas.

Fendi em Roma: quando a cidade vira argumento
A Fendi não deve ser tratada como rodapé da semana parisiense só porque o desfile acontece em Roma… Pelo contrário, querides. O deslocamento é justamente o ponto.
Maria Grazia Chiuri apresentar sua primeira couture para a Fendi em Roma muda o eixo da leitura totalmente. Roma não é cenário neutro, darling. Roma é origem, arquivo, ruína, poder, cinema, igreja, excesso, memória, família, pele, artesanato e espetáculo. Quando uma maison romana decide apresentar couture em sua própria cidade, ainda mais em um momento de novo comando criativo, ela está criando argumento.
Chiuri conhece o peso da história muito bem. Sua passagem pela Dior foi marcada por uma relação intensa com discurso, artesanato, mulheres artistas, arquivo e construção simbólica. Na Fendi, ela encontra outra energia. A casa tem uma ligação profunda com Roma, com a família Fendi, com Karl Lagerfeld, com pele, com trabalho artesanal, com uma sensualidade menos francesa e mais italiana, menos salão e mais cidade.

A pergunta é: Chiuri vai usar Roma como paisagem bonita ou como linguagem?
Porque há uma diferença enorme entre colocar convidados em um lugar grandioso e fazer o lugar participar do pensamento da coleção. Roma pode virar cenário de Instagram. Mas também pode virar fundamento. Pode ser só fundo bonito para vídeo vertical, ou pode ser o corpo invisível da coleção. E, na Fendi, essa diferença importa, honey.
O casting, aqui, pode ganhar outra camada babadeira. Fendi não precisa apenas apresentar roupa. Precisa apresentar uma nova relação entre mulher, cidade, arquivo e maison. Se o elenco vier carregado de força, idade, presença e identidade, o desfile pode ganhar densidade. Se vier apenas correto, talvez Roma trabalhe mais do que a coleção. E quando a cidade trabalha mais que a roupa, honey Lee da Silva, temos um problema lindo de escrever e péssimo de resolver.

Standing Ground, Manish Malhotra e Boloria: as margens também fazem barulho
Nem só de grandes maisons vive a alta-costura. Às vezes, os movimentos mais interessantes aparecem nas margens do calendário, nos nomes que ainda não têm peso universal, mas já carregam linguagem própria com aquele borogodó que amamos.
Standing Ground entra como guest house (marca convidada) com uma proposta que conversa diretamente com corpo, coluna, pedra, alongamento e escultura. Michael Stewart construiu uma imagem silenciosa, quase ritualística, com silhuetas que parecem pensar o corpo como monumento. É o tipo de marca que talvez ainda não fale com o grande público brasileiro, mas fala com quem observa forma, construção e presença. E, em uma semana dominada por casas históricas tentando provar relevância, um nome de culto pode funcionar como respiro e ameaça. Às vezes, quem chega sem império nas costas enxerga melhor o futuro.

Manish Malhotra, por outro lado, traz outra tensão. Seu nome vem carregado pelo imaginário de Bollywood, celebridade, red carpet e expansão cultural do luxo. A presença dele no radar couture interessa porque amplia a pergunta: Paris está abrindo espaço real para outras geografias de desejo ou apenas incorporando novos mercados com embalagem parisiense? Não é uma questão pequena. A alta-costura sempre foi internacional no consumo, mas seletiva no altar simbólico. Quando novos nomes entram, entra também a disputa por quem pode definir luxo, espetáculo e fantasia fora do eixo europeu tradicional.

E há Boloria, o novo projeto de Olivier Theyskens, orbitando a semana com aquela aura de romantismo gótico que sempre fez seu nome parecer meio aparição, meio assombração bem vestida. Theyskens não precisa gritar para criar clima. Sua força está nesse escuro refinado, nessa elegância ferida, nessa beleza que parece ter dormido em um castelo com problemas emocionais. Boloria não está exatamente no centro oficial da conversa couture, mas pode ocupar um lugar de desejo paralelo. E margens, na moda, às vezes viram centro antes que a indústria perceba.

Casting é mensagem, não enfeite
Para o House of Models, esta temporada precisa ser lida também pelo casting. Não como lista de nomes, não como caça histérica por brasileira, não como torcida organizada de passarela… Mas como leitura de poder.
Na alta-costura, quem abre importa. Quem fecha importa. Quem repete maison importa. Quem aparece sob novo comando importa. Quem é escolhido em uma estreia importante importa. Quem volta depois de temporadas fora importa. Quem desaparece também importa.
Abertura e fechamento são posições de hierarquia visual. Elas moldam memória. O primeiro look apresenta a tese; o último tenta cravar a imagem que a maison quer deixar no olho do mundo. Colocar uma modelo ali é confiar nela como veículo de mensagem. Não é prêmio de simpatia, bebê… Não é sorteio de bastidor… É escolha.

E olha… repetição também precisa ser observada. Uma modelo que volta para a mesma maison, sobretudo em couture, começa a sair do campo da aparição isolada e entra no território da confiança. E confiança, no mercado internacional, vale mais do que euforia. A moda adora descobrir. Mas ama mesmo é repetir aquilo que acredita funcionar.
Também será importante observar a presença de veteranas, new faces, corpos mais diversos, castings mais teatrais e eventuais celebridades. Cada escolha revela uma estratégia. Uma maison pode tentar parecer mais jovem, mais clássica, mais pop, mais intelectual, mais comercial, mais artística ou mais perigosa. E o corpo escolhido para vestir esse discurso não é mero detalhe. É parte da frase.
É por isso que reduzir casting a “quem desfilou” empobrece a discussão. A pergunta real é: quem foi chamado para carregar qual ideia?

E as brasileiras? O radar está ligado, mas sem oba-oba
É obvious que o House of Models acompanha com atenção especial possíveis brasileiras e brasileiros nesta temporada… Seria estranho não acompanhar… né? O HofM vem construindo uma linha editorial cada vez mais consistente sobre a presença brasileira na moda internacional, especialmente depois da matéria sobre o Império das Modelos Brasileiras na Temporada SS 2025, quando a pergunta ainda era se aquele volume representava dominação global ou puro acaso.
Agora a régua mudou.
Em 2026, a pergunta precisa ser mais adulta: quem permaneceu? Quem voltou? Quem repetiu cliente? Quem saiu da passarela e entrou em campanha, look book, editorial, e-commerce premium, menswear, cruise, resort, couture? Quem deixou de ser novidade e começou a virar imagem confiável?

Na alta-costura, essa pergunta fica ainda mais dura. O espaço é menor. O filtro é mais estreito. O volume brasileiro do prêt-à-porter não se traduz automaticamente em presença couture. E tudo bem. A ausência também pode ser dado, desde que analisada com inteligência e sem transformar mercado em drama nacionalista… preguiça!
O House of Models vai observar nomes brasileiros em circulação internacional recente, especialmente aqueles que vêm aparecendo em maisons relevantes, campanhas, editoriais e castings de peso. Mas aqui não tem oba-oba, mon petit. Expectativa não é confirmação. Boato não é informação.. E vontade de ver brasileira brilhando em Paris, embora legítima, não substitui apuração.

Por que a alta-costura ainda importa em 2026
Em um mercado saturado de imagem, a alta-costura poderia parecer um anacronismo. Uma coisa antiga, cara, restrita, quase absurda. E, em certa medida, ela é tudo isso mesmo. Mas é justamente aí que mora sua força.
A couture não precisa vender em escala para ser estratégica. Ela vende autoridade. Vende mito. Vende prova de competência. Vende o direito de uma maison continuar dizendo que sabe fazer o impossível. Em uma época em que muita moda parece conteúdo, a alta-costura insiste em lembrar que roupa também pode ser construção, tempo, mão, técnica e obsessão.

Mas não sejamos ingênuos, queridinhos. A couture também é um verdadeiro espetáculo. Também é marketing. Também é imagem. Também é red carpet. Também é desejo fabricado para circular em foto, vídeo, campanha, museu, premiação e no imaginário coletivo. Moda nunca foi santa, mon amour. E a alta-costura, com todo seu silêncio de ateliê, sabe muito bem fazer barulho.
Por isso esta temporada interessa tanto… Porque não basta entregar roupa bonitinha. Quase todo mundo ali sabe fazer roupa bonita. A questão é entregar visão. Em Balenciaga, Piccioli precisa provar que consegue dialogar com uma maison monumental sem diluir sua própria sensibilidade. Em Gaultier, Lantink precisa transformar provocação em couture. Em Chanel, Blazy precisa converter técnica em assinatura. Em Dior, Anderson precisa expandir arquivo sem virar prisioneiro dele. Em Fendi, Chiuri precisa fazer Roma falar mais do que cenário… E os castings vão ajudar a revelar essas respostas deliciosas.

O que o House of Models vai observar
Ao longo da semana, o House of Models acompanhará não apenas os desfiles, mas os sinais. O primeiro look. O último look. Os corpos escolhidos. As ausências. As repetições. As new faces babadeiras. As veteranas que amamos. Os nomes inesperados. As brasileiras, se vierem. Os brasileiros, se surgirem. As maisons que entenderem o próprio momento. E aquelas que tentarem compensar falta de ideia com metros de tecido e iluminação dramática… Deus me free!
Porque alta-costura é roupa feita à mão… É imagem feita para durar.
E, nesta temporada, Paris parece menos interessada em apenas mostrar vestidos e mais ocupada em decidir quem terá autoridade para falar de futuro usando o vocabulário do passado… O babado, portanto, não está só no tule.

Está no comando criativo, no casting, no arquivo, no gesto, no corpo escolhido e na pergunta que cada maison vai tentar responder quando a primeira modelo pisar na passarela: ainda somos capazes de fabricar desejo?
O House of Models está de olho… E com lupa, honey!
Foto: Divulgação
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