Maldito Paris: Francisco Terra volta ao Brasil e transforma memória em desejo com Mete Bala

Maldito Paris Mete Bala 2026 foto: Zé Takahashi

Em sua estreia no Brasil, a Maldito Paris ocupa o Cine Copan com Mete Bala, coleção em que Francisco Terra cruza Minas Gerais, cometa Halley, fetiche, carnaval e savoir-faire francês. O House of Models acompanhou o backstage, os looks babadeiros e conversou com o estilista e o diretor de casting Bill Macintyre.

Por Fabio Lage | House of Models

Quando o convite para Mete Bala, primeiro grande desfile da badalada Maldito Paris no Brasil, chegou, eu estava numa fazenda em Minas Gerais, cercado pelo cerrado e a alguns bons quilômetros de distância de Paris, São Paulo e de qualquer lugar onde alguém razoavelmente esperaria começar uma crítica de moda. Mas Francisco Terra também começou em Minas… E talvez essa história só pudesse começar ali, bebê.

Foi naquele silêncio de fazenda que comecei a me debruçar sobre o trabalho do mineiro radicado em Paris, tentando compreender melhor os códigos de uma marca que nunca me pareceu interessada apenas em colocar roupa no corpo. Francisco tem essa coisa deliciosa e meio perigosa de quem prefere criar mundos, personagens e fantasias antes de pensar propriamente em coleção. A Maldito, afinal, nasceu dessa lógica: antes de se organizar como marca de moda, existiu como narrativa, com um motoqueiro mineiro no centro de um universo atravessado por identidade, gênero, desejo e lembranças deliciosas do Brasil.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

De Minas, eu e meu fiel escudeiro Arthur Hilário seguimos para o Rio de Janeiro numa passagem rápida e, de lá, caímos novamente na estrada rumo a São Paulo. Nossa diva mór Anitta havia acabado de colocar trabalho novo no mundo e embalou parte do caminho enquanto eu navegava pela história de Francisco, voltava aos trabalhos anteriores da Maldito e tentava entender o tamanho do babado que nos esperava no Cine Copan.

O Brasil passava pela janela enquanto Francisco ocupava minha cabeça… O que eu ainda não sabia era que, dentro da cabeça dele, outro grupo também estava prestes a pegar a estrada… Só que em 1986.

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Francisco Terra volta ao Brasil com Mete Bala

Talvez a melhor maneira de compreender Mete Bala seja esquecer por alguns minutos essa velha obsessão da moda tupiniquim em procurar “brasilidade” dentro de tudo que um brasileiro produz no exterior. Deus me free… Francisco não voltou carregando um inventário de coqueiros, bananas e referências nacionais devidamente etiquetadas para facilitar a vida do crítico estrangeiro. O que ele trouxe é muito mais íntimo e, justamente por isso, mais interessante, honey.

No backstage, Hedras Graf perguntou o que significava apresentar a Maldito Paris aqui depois de tantos anos vivendo fora. Francisco respondeu:

“A coleção é uma carta de amor para as memórias que eu tenho aqui.”

Bingo, mon amour!

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Mete Bala não é exatamente uma coleção sobre o Brasil, darling Lee da Silva… É uma coleção sobre aquilo que acontece com o Brasil depois de quase vinte anos vivendo dentro da memória de alguém.

E memória, baby, é uma editora completamente irresponsável. Ela aumenta o que quer, apaga o que incomoda, erotiza pessoas, mistura épocas e transforma uma lembrança banal num acontecimento épico. Às vezes inventa tanto que aquilo que nunca aconteceu começa a parecer mais verdadeiro do que a própria realidade… e Francisco trabalha justamente nesse território.

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Mineiro, ele deixou o Brasil em 2007 para estudar moda em Paris, passou pela Givenchy de Riccardo Tisci e pela Carven de Guillaume Henry, criou a Neith Nyer, chegou à final do concorridíssimo ANDAM e, depois do encerramento daquele projeto, começou a construir a Maldito Paris. Sua trajetória ajuda a entender por que a marca parece menos interessada no calendário convencional da moda do que na construção de um universo próprio.

“Todas as referências, todas as histórias que eu contei com a marca sempre foram histórias dessas memórias”, explicou Francisco ao House of Models. E completou algo ainda mais revelador: “Contar história é muito parte do que eu sou”.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Isso muda um pouco a nossa maneira de olhar para os looks suntuosos… Antes da roupa existe ficção.

Estamos no verão de 1986, nas montanhas da Zona da Mata mineira. Um grupo de jovens vai até uma cachoeira para assistir à passagem do cometa Halley. Há um motoqueiro queer, desejo, festa, um crush e aquele tipo de noite que provavelmente começa com boas intenções e termina com alguém tendo bastante coisa para explicar no dia seguinte, bebê.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Quando o Halley atravessa o céu, alguma coisa acontece… Os personagens são enfeitiçados. E Francisco começa a deformar a realidade… Quando Halley passa, a roupa perde a compostura. E meus querides… antes disso, porém, havia o backstage.

E backstage de desfile continua sendo uma das coisas que mais gosto de acompanhar porque ali a roupa ainda não foi reduzida à imagem. Na fila A, por melhor que seja seu lugar, você recebe segundos. A modelo entra, atravessa seu campo de visão, faz a curva e acabou. Nos bastidores você enxerga peso, acabamento, proporção, sobreposição, acessórios, estrutura e aqueles detalhes que a fotografia oficial às vezes transforma numa superfície lisa demais.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Olha, vou te contar… nossa equipe estava em profundo êxtase. Hedras conversava com Francisco e depois com Bill Macintyre, responsável pelo casting e direção do desfile, enquanto Sabrina Sato circulava gravidíssima pelo backstage. Eu estava tão entretido observando os looks que perdi completamente o timing e quase fiquei preso por lá. Quando percebi, precisei correr para a sala… E a sala estava abarrotadíssima, honey.

Juliano Floss chegou causando numa cueca de renda babadeira que abalou Bangu, Paris e adjacências; porque existem pessoas que chegam a um desfile e existem pessoas que fazem uma entrada. Juliano escolheu a segunda possibilidade e seguimos o baile.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

– Consegui meu lugar, as luzes apagaram, o ruído morreu e a trilha começou… e Francisco meteu bala.

Só que ele foi mais inteligente do que entregar toda a pirotecnia na primeira saída. A coleção começa relativamente próxima do corpo, estabelecendo seu vocabulário através de corseteria, underwear, denim, cáqui, renda, ferragens, cinturas baixas e pele. Camadas tradicionalmente escondidas ganham protagonismo enquanto códigos masculinos e femininos atravessam os corpos sem pedir carimbo na alfândega do gênero… Ui ui ui!

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

– E convenhamos, mon petit… chamar isso simplesmente de “genderless” seria preguiça.

Francisco não apaga os códigos… Ele precisa que continuemos reconhecendo renda, corset, perfecto, alfaiataria, lingerie e flor para depois fazê-los trocar de endereço. O feminino invade o masculino, o masculino invade o feminino e ninguém parece particularmente interessado em devolver as coisas para a gaveta correta.

Bill Macintyre nos deu uma chave importante para compreender essa operação ao explicar que pensa seu casting a partir do “tipo de modelo que vai me ajudar a contar essa história”… Ou seja: casting aqui não é RH de passarela, bebê. É dramaturgia… E então o Halley passa.

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Os ombros crescem, cinturas são comprimidas, mangas inflam, o rosa invade, o violeta ganha território, flores aumentam, o perfecto é hipertrofiado e os cintos começam a se multiplicar numa velocidade em que a própria ideia de cinto parece ter uma pequena crise existencial.

Tem look em que Francisco coloca cinto, bolsa, laço, volume, ferragem e aparentemente pensa: “sabe o que está faltando aqui? Outro cinto”.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Só que existe método nessa insanidade. O próprio Francisco nos explicou:

“À medida que o desfile vai avançando, a loucura vai só aumentando e as roupas vão se transformando, os ombros vão crescendo.”

Pronto…

O que poderia parecer apenas progressão estética passa a funcionar como dramaturgia visual babadeira… A roupa registra o efeito do feitiço, bebê.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Isso explica por que as silhuetas vão ficando progressivamente menos razoáveis. Há um trench violeta de cintura comprimida e ombros monumentais que transforma passar discretamente por uma porta num problema arquitetônico delicioso de diva. Há perfectos carregados de ferragens e cintos que parecem ter atravessado o Globo da Morte e saído de lá com alguns traumas deliciosos. Flores deixam de funcionar como ornamento e começam a reconstruir quadris e torsos, enquanto alguns corpos praticamente desaparecem dentro da matéria.

Ui ui ui! A essa altura já não era mais roupa pedindo espaço, darling Lee da Silva Jr… Era disputa territorial.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Nem tudo sai ileso desse excesso gostoso. Há momentos em que styling, volume, acessório, cabelo, laço, bolsa e construção disputam tanto atenção que a hierarquia visual fica perigosamente próxima de desaparecer. Uma coleção menos coerente teria virado um moodboard ambulante… Mas Mete Bala possui um álibi bastante convincente: a loucura precisa crescer.

Isso não significa que todo exagero funcione igualmente. Significa que o exagero tem função. E essa diferença salva Francisco de transformar excesso em simples barulho… Atura ou surta, bebê.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

O carnaval está debaixo da roupa

É justamente quando Mete Bala atinge suas proporções mais delirantes que aparece, para mim, o grande achado da coleção… O carnaval.

Só que Francisco não precisa colocar uma passista na passarela para nos avisar. Conhecimentos ligados à construção de carros alegóricos e fantasias carnavalescas foram colocados em diálogo com procedimentos dos ateliês franceses. Peter Jitenski, responsável pelo desenvolvimento de alta-costura da marca, trabalhou ainda numa solução de espuma tridimensional envolvendo estruturas metálicas para produzir algumas das formas orgânicas e esculturais que atravessam a coleção.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

– A informação parece técnica… Na verdade, ela abre uma discussão enorme.

Porque durante muito tempo fomos educados a reconhecer savoir-faire quando ele chega acompanhado de endereço parisiense, arquivo centenário e pronúncia francesa. Bordado de maison é patrimônio. Construção de ateliê é técnica. Métiers d’art são conhecimento.

E o barracão?

Um carro alegórico de proporções monumentais precisa se mover. Uma fantasia gigantesca precisa existir sobre um corpo que anda, samba e performa. Estruturas precisam ser leves, resistentes, desmontáveis, visualmente extraordinárias e, frequentemente, construídas sob pressão de prazo e orçamento que fariam muito diretor criativo europeu pedir um Rivotril e licença médica.
Isso é engenharia… Isso é conhecimento… Isso também é savoir-faire, bebê.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Paris chama de savoir-faire. O carnaval muitas vezes chama de “resolve isso porque a escola entra na avenida domingo”… O nome muda; mas a inteligência não.

É aí que Francisco Terra faz algo muito mais sofisticado do que simplesmente misturar referências brasileiras e francesas. Ele coloca dois sistemas de conhecimento na mesma roupa sem obrigar o brasileiro a entrar como folclore e o francês como técnica… Entende?

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– E isso, mon amour de Mercês, muda a hierarquia da conversa.

Talvez a pergunta não seja como um estilista brasileiro levou carnaval para perto da couture… Talvez seja quanta couture o Brasil já produzia antes de decidirmos que apenas Paris tinha autorização para usar essa palavra.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

A peônia ajuda a materializar bem essa ideia. Flor recorrente no universo da Maldito e favorita de Francisco, ela começa como imagem e progressivamente ganha corpo, cresce, avança lateralmente e chega a alterar a anatomia. Aquilo que poderia ser delicadeza vira quase uma armadura babadeira.

E aí outra tensão de Mete Bala aparece sem precisar de powerpoint conceitual: Francisco mostra pele e depois a esconde, expõe underwear e cobre o corpo com volumes monumentais, comprime com corset e protege com matéria. Renda encontra ferragem, flor encontra couro, vulnerabilidade encontra armadura… O fetiche começa justamente aí.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Fantastic Fashion Fetish: quando roupa vira desejo

Seria fácil olhar para corsets, renda, couro, underwear, motoqueiro e cabaré e concluir que Francisco está falando de fetiche porque existe erotismo… Muito fácil.
O fetiche mais interessante de Mete Bala está na capacidade que uma coisa possui de deixar de ser apenas coisa.

Uma bolsa não serve apenas para carregar objetos… Um salto não existe somente para sustentar um pé… Uma motocicleta pode ser liberdade, masculinidade, perigo, sexo… Uma flor pode carregar delicadeza, feminilidade, luto ou desejo… Uma marca pode transformar matéria em pertencimento. A moda vive dessa alquimia deliciosa… Matéria recebe história, história recebe símbolo e símbolo produz desejo. Voilà: temos luxo.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

A exposição FFF: Fantastic Fashion Fetish, associada à ocupação da Maldito no Pivô Copan, amplia justamente essa investigação sobre objetos de moda transformados em desejo e fantasia. O projeto brasileiro não se limita, portanto, aos looks da passarela: desfile, exposição e pop-up funcionam como extensões do mesmo universo narrativo.

E aqui Francisco consegue ser sofisticado sem cair naquela armadilha terrivelmente chata de confundir sofisticação com sobriedade. Existe humor em Mete Bala, existe camp, erotismo, exuberância e aquela vontade deliciosa de colocar mais uma coisa justamente quando o bom gosto convencional já começou a fazer sinal para parar… Ainda bem, viu!?

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Porque bom gosto demais também é um porre, neah? A questão realmente interessante está em perceber até onde Francisco Terra consegue tensionar essa fronteira sem deixar que o excesso engula a roupa. Em alguns momentos, chega perigosamente perto. E é justamente esse risco que mantém Mete Bala vivíssima… Ainda bem.

Uma Maldito completamente editada, silenciosa, polida e obediente provavelmente deixaria de ser Maldito… Deus me free.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

O medo de voltar

Talvez a fala mais reveladora de Francisco naquela noite tenha acontecido antes de o primeiro look aparecer na passarela.
Nosso top apresentador Hedras Graf perguntou sobre o sentimento de apresentar seu trabalho finalmente no Brasil.

“O Brasil é muito grande, então dá medo”, respondeu Francisco.

– Essa frase ficou comigo, baby.

Um estilista que construiu carreira em Paris, passou por casas importantes, criou uma marca, viu um projeto terminar, começou outro e aprendeu a operar dentro de um dos sistemas de moda mais competitivos do mundo estava com medo de São Paulo…Mas talvez não fosse exatamente São Paulo.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Francisco explicou que precisava descobrir se o público sentiria aquilo que ele próprio havia sentido ao transformar suas lembranças em coleção.
E aí mora uma vulnerabilidade muito mais interessante, mon petit… Paris pode julgar o designer… O Brasil julga a memória.

Quando você transforma lembranças do lugar de onde veio em matéria criativa, voltar significa colocar essa versão particular do passado diante de pessoas que também conhecem aquele repertório. Algumas reconhecerão. Outras não. Algumas provavelmente dirão que Minas não é nada disso… E talvez todas estejam certas. Porque memória não é documento… É ficção autobiográfica.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Francisco ainda revelou ao House of Models que não deseja tratar Mete Bala como passagem isolada pelo país:

“Espero que não seja uma vinda pontual, que seja realmente a nossa chegada aqui, que a gente consiga fazer outras coisas.”

A Maldito que chega ao Brasil não é uma marca que Francisco levou daqui e agora devolve pronta. Ela nasceu no intervalo, naquele território confuso entre o lugar de onde ele veio e aquele onde decidiu construir sua vida.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Talvez por isso Minas e Paris não precisem disputar espaço dentro de Mete Bala. O Folies Bergère pode conversar com a cachoeira… Cabaré com barracão… Perfecto com peônia… Corset com motoqueiro… O Halley com uma noite qualquer de juventude que, vinte anos depois, já não sabemos exatamente quando aconteceu e quanto inventamos.

E é justamente por isso que ainda não consegui digerir completamente essa coleção do babado.
Depois do desfile, voltei às fotografias. Revi as 30 saídas na ordem, retornei ao primeiro look depois de conhecer o último, ouvi Francisco novamente, ouvi Bill e encontrei relações que haviam passado despercebidas a poucos centímetros de mim no backstage.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Algumas coisas que me pareceram excessivas ganharam função… Outras continuaram excessivas… Ótimo.
Estamos vivendo uma moda cada vez mais pressionada a produzir imagens compreensíveis em três segundos: olha, entende, curte, desliza, próximo babado.
Mete Bala pede uma segunda olhada… Talvez uma terceira.
E numa indústria apaixonada pela tradução imediata, uma coleção que ainda oferece alguma coisa quando você volta para ela já está fazendo bastante.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Enquanto escrevo, penso novamente naquela fazenda em Minas Gerais, no convite chegando, na estrada até São Paulo, Arthur comigo, Anitta tocando e o Brasil passando pela janela enquanto eu tentava compreender melhor um mineiro que havia construído sua linguagem do outro lado do Atlântico.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

E não é que Francisco também colocou seus personagens numa estrada?
Eu seguia para São Paulo… Eles seguiam para uma cachoeira.
Nós íamos encontrar Mete Bala… Eles iam esperar o Halley.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

No meio dessas duas viagens existem vinte anos, Paris, um motoqueiro queer, um crush, carnaval, corsets, peônias gigantes, medo, desejo e uma quantidade considerável de cintos.

Maldito Paris – Mete Bala 2026 – Foto: Zé Takahashi

Francisco Terra precisou sair de Minas para construir a Maldito Paris. Mas talvez o grande babado de Mete Bala seja perceber que Minas Gerais nunca precisou chamá-lo de volta… Minas já estava costurada por dentro.

Foto: Zé Takahashi

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