Quem é você na fila do pão, honey Lee de Santana do Agreste? — se Tieta fosse viva em 2025, a resposta seria simples: ícone sustentável do verão 2026, honey… A filha pródiga fashion
Por Fabio Lage – House of Models
Na literatura de Jorge Amado, Tieta é a filha expulsa por vida “devassa” que volta ao vilarejo anos depois, poderosa, rica, cheia de segredos. Na TV, virou escândalo nacional em 1989 com Betty Faria e uma abertura tão icônica quanto o sutiã da Madonna. Agora, pela lente da Misci, ela é statement visual sobre território, pertencimento e identidade.

Airon Martin, diretor criativo da marca, pergunta: quem seria Tieta hoje? A resposta: seria Lais Ribeiro de vestido amarelo solar no sofá da vó, seria Seu Jorge com bolsa de pirarucu atravessada no peito, seria crochê punk, moto preta, aquele paredão de som como altar e moda sustentável como arma política. Ui ui ui, atura ou surta, bebê… o lacre é certo!

Mon amour de Xique-Xique: da sala kitsch ao editorial global
O release fala em “sofá estampado do interior”. Mas o que Misci fez foi transformar o kitsch em luxo puro, mon petit.
Na campanha, fotografada por Hick Duarte com styling mega apurado de Renata Corrêa, Lais Ribeiro surge esticada num sofá floral descosturado, com ventilador vermelho, rádio antigo e flor de plástico. A cena, que poderia ser novela das seis, vira campanha internacional da badalada grife brasileira.

É ready-made duchampiano em versão brasileira: o precário elevado à categoria de arte. Prada precisa de cenários futuristas em Milão; a Misci precisa apenas da sala da vó em Piauí. Ai que loucurinha deliciosa mon amour!

Honey Lee de Borrazópolis: paredão de som como candelabro barroco
Se no romance de Amado o dilema era entre progresso (fábrica de dióxido de titânio) e preservação, em 2025 o paredão de som cumpre esse papel. O que a elite chama de barulho vira metáfora estética e política babadeira.

As caixas brancas em torre funcionam como colunas de igreja. Os modelos posam como santos contemporâneos. A moda se ajoelha diante da cultura popular. Dior, tá na Disney? O Brasil tem sound system como catedral, honey Lee da Rocinha!

Darling de Pirituba: crochê rasgado e pirarucu popstar
Ui ui ui, crochê nunca mais será o mesmo… Na Misci, o crochê da tia do interior vira armadura punk: rasgado, sensual, mais próximo da cena clubber berlinense que da feirinha de domingo. É o artesanal reconfigurado como statement político… puro suco!

O pirarucu, antes descartado, surge como matéria-prima de luxo. O peixe amazônico, que chega a dois metros e 100 kg, já foi explorado até quase extinção. Hoje, graças ao manejo comunitário, é símbolo de economia circular. Suas peles viram couro resistente e sustentável, exportado como ícone brasileiro.
É luxo que não fede a colonialismo, mas exala futuro regenerativo… tá bom para você?

Meu Deus! Lais Ribeiro, a Tieta global
Não dá pra falar da campanha sem destacar o poder de Lais Ribeiro, né amores?
Nascida em Miguel Alves, Piauí, Lais não é só supermodelo internacional; é engajada em causas socioambientais. Sua presença na campanha é metonímia perfeita da Tieta contemporânea: mulher que retorna às origens com autonomia, consciência ecológica e glamour global.

Nas fotos, ela é sereia punk de crochê rasgado na areia, madona amarela de lenço estampado sobre sofá florido e deusa solar em tecido sustentável. Ela encarna sensualidade, espiritualidade e elegância em cada clique.

Honey Lee de Ressaquinha: Seu Jorge, griô da moda
Colocar Seu Jorge na campanha não é só arrasar no casting, mon petit… é gesto político.
Ele é oralidade, samba, funk, resistência negra. Sua presença conecta a Misci à tradição griô: contar histórias pela voz, pela música, pelo corpo.

De blazer marrom aberto e bolsa verde no ombro, ele questiona padrões de masculinidade tóxica e transforma acessório em símbolo de liberdade. Dior, oi? Aqui é Brasil, dear honey Lee.

Mon petit de Jardim de Piranhas: os atos visuais
A campanha se divide em capítulos dignos de novela das nove: Primeiro, o paredão de som. Corpos negros e diversos posam diante de caixas brancas empilhadas como se estivessem diante de vitrais barrocos. Só que aqui o evangelho é o brega, mon amour de Itabira.
Na sequência, a sala kitsch, onde o sofá florido e o ventilador vermelho viram altares involuntários. O que antes era cafona agora é relíquia.

Depois, mergulhamos na areia preta. É crochê punk, é sereia underground, é Mad Max de biquíni com pérolas de Orkut.
E aí vem a moto surrealista. Um altar urbano pintado de amarelo solar onde a moto não é só veículo… é símbolo de feminilidade selvagem.
Por fim, temos a bolsa-escultura. Triangular, trapezoidal, quase arquitetônica. Não é acessório, é quase uma prótese de corpo… faz parte, darling!

Casting que abala Bangu e adjacências…
E se o cenário já era novela experimental, o elenco foi o capítulo mais explosivo. Porque a Misci não jogou seguro com meia dúzia de nomes repetidos; ela trouxe um casting que é manifesto. Lais Ribeiro segue soberana como Tieta global, encarnando sensualidade e consciência ecológica. Seu Jorge empresta gravidade e poesia, transformando cada imagem em narrativa oral. Mas é nos newcomers que o babado ferve: Fina Cadjancu, vinda da Guiné-Bissau, atravessa a lente como sereia indomável, já com aura de estrela em ascensão. Liya Santos, brasileira que abriu Saint Laurent em Paris, é aposta internacional com DNA de supermodelo. Sofia Gama e Alejandro Costa trazem a estética híbrida que flerta com high fashion e street culture, símbolos de uma juventude sem fronteiras. E Akin, nigeriano radicado em São Paulo, sintetiza a miscigenação que é a essência da Misci. Esse casting não é coadjuvante nem aqui, nem na China, bebê: é statement. É geopolítica fashion em carne viva, mostrando que o Brasil pode ser passaporte global sem pedir carimbo francês. Ui ui ui, abala mais que final de novela das nove!

O babado é certo: moda como manifesto
A Tieta da Misci não é nostalgia. É convite ao presente e ao futuro.
“Tieta é espelho das comunidades que resistem, das mulheres que retornam com autonomia, dos corpos que abraçam sua identidade”

. Traduzindo: é a moda como vetor de mudança… Enquanto a Europa fala em “quiet luxury”, a Misci responde com loud identity: crochê punk, sofá florido, pirarucu sustentável.

Enquanto as marcas apressadinhas correm para postar look no Instagram no minuto seguinte ao desfile, a Misci pratica o que chamo de slow burn fashion. Estratégia de maison global, não de marca emergente querendo like. Lança em abril, solta campanha em agosto. Ritmo de novela das nove: segura o suspense, entrega o clímax só no capítulo final.

Enquanto Rosalía lança Motomami com sua rebeldia pop, Airon Martin responde com Mototieta. Feminilidade, perigo, tesão e crochê punk no mesmo altar solar. Ui ui ui, o babado é mais que certo… é certeiro!

Sustentabilidade aqui não é powerpoint com gráfico verde. É ciência aplicada. A tal da Pelle Verde, feita em colaboração com a beLEAF™, coloca o Brasil no mapa da inovação em materiais. Europa pode ter suas sedas italianas, mas a Amazônia responde com folha que vira couro e peixe que vira bolsa.

É política pura, honey. Sofá da vó? Contra-gentrificação. Paredão de som? Resistência cultural. Pirarucu? Ecologia regenerativa. Ou seja: cada peça da Misci é mais militante que influencer lacradora em thread do X… Cada peça marca um X no seu coração.

E, por fim, branding. Porque até militância precisa pagar os boletos. A bolsa triangular, trapezoidal, quase arquitetônica, é prótese do corpo e it-bag pronta pra brilhar na Farfetch. A Misci sabe que sem bolsa-ícone não se entra no mercado global de luxo. Dior, Balenciaga, Prada, todas têm a sua. Agora, o Brasil também.
O Brasil não precisa de Paris para ser centro de moda. Ele precisa apenas olhar para dentro e rir da própria potência.

Ou seja, mon amour de Pirituba: enquanto o mundo insiste em quiet luxury, a Misci responde com loud identity. Não é luxo silencioso, é identidade berrando do sofá da vó até a passarela global. Ai que loucura… atura ou surta, bebê.
Beijinhos!
Foto: Divulgação – Hick Duarte
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