Juliana Nalú e Favela Seeds: quando a moda para de fingir e começa a plantar futuro

Por Fábio LageHouse of Models

O nome é Juliana Nalú. E antes que alguém tente reduzir isso a “história inspiradora para emocionar no LinkedIn, vamos combinar uma coisa bem simples, mon amour de Xique-Xique: o que ela está fazendo com o Favela Seeds é estratégia. É pipeline. É construção de mercado. É a moda, pela primeira vez em muito tempo, olhando para onde o talento nasce e dizendo “ok, eu vou parar de fingir que não vejo”.

Porque a real é que o Brasil é um país onde 16,4 milhões de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas, o que equivale a 8,1% da população, segundo o Censo 2022. Isso não é um “nicho”. Isso é um Brasil inteiro que sempre esteve ali, produzindo estética, linguagem, corpo, atitude, sonho e sobrevivência, enquanto uma parte da indústria insistia em buscar “novos rostos” sempre nos mesmos CEPs. Babado, confusão e gritaria.

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E aí entra o ponto que deixa publicitário arrepiado e gatekeeper desconfortável: as favelas também são potência econômica. Pesquisas recentes do Instituto Data Favela vêm apontando um universo de cerca de 17 milhões de moradores e uma renda movimentada na casa de R$ 300 bilhões por ano. Se você ainda acha que isso é “assistencialismo”, darling, você está atrasado. Isso é realidade de mercado. Adoro quando a realidade dá um tapa de luva… Ui ui ui!

O que é o Favela Seeds e por que isso importa para a moda de verdade?

O Favela Seeds se apresenta como instituto e rede de apoio comunitária, com esporte, arte e cultura como pilares, idealizado pela própria Juliana Nalú com sua família, e nascido em 2023 com o objetivo explícito de criar oportunidades para jovens oriundos de favelas, a partir da vivência dela.

E aqui mora o pulo do gato: não é só “dar visibilidade”, bebê. É criar estrutura para o talento virar carreira. É o oposto da moda que gosta de usar diversidade como estética de campanha e depois some na hora de pagar cachê, dar contrato, organizar documentação, preparar portfólio, abrir porta internacional. Atura ou surta, bebê, mas carreira se constrói com sistema, não com aplauso… viu?

Juliana Nalú: do Chapadão para o mundo e de volta para o Chapadão

A Juliana não está falando disso de um lugar abstrato. Ela é nascida e criada no Complexo do Chapadão, meu amor… no “River of January“, começou na moda ainda adolescente e ganhou projeção a partir de oportunidades reais. O próprio House of Models já registrou que ela venceu o concurso “CUFA Solte seu Brilho” e, desde então, acumulou campanhas para marcas como L’Oréal, Skims e Yeezy, entre outras.

Ela também virou nome de circulação internacional e, hoje, tem alcance gigantesco nas redes, com audiência na casa de centenas de milhares de seguidores. Isso importa porque, em 2026, influência não é só “fama”. É alavanca. É acesso. É poder de chamar atenção para um casting em território que a indústria historicamente ignorou.

E quando a pessoa que saiu do lugar volta para estruturar ponte para outros saírem, mon petit, isso não é romantização. Isso é inteligência política e econômica.

Favela Seeds + Mix Models: quando a porta deixa de ser lenda urbana

O movimento mais concreto dessa história é a parceria Favela Seeds + Mix Models Agency, criada para operar como seleção de new faces e identificar talentos fora dos circuitos tradicionais. Houve chamada pública e organização em fases, incluindo etapa online e etapa presencial no próprio Complexo do Chapadão, com o time da agência.

Esse detalhe é crucial, honey Lee: não é só “leva a favela para o centro”. É o centro indo onde a vida está, onde o corpo real está, onde a estética acontece antes de virar tendência no asfalto… atura ou surta, bebê!

Por décadas, a moda brasileira tratou talento periférico como exceção heroica. O Favela Seeds, quando funciona, transforma exceção em método. Boto fé!

Bárbara Amorim: quando a semente vira nome e o nome vira agenda

Dentro desse sistema nasce a pauta que interessa agora. Bárbara Amorim aparece como um desses rostos revelados a partir do casting, e a própria Mix Models já publicou material de trabalho com ela em um projeto associado à Louis Vuitton, o que, para uma carreira em construção, é daqueles “carimbos” que mudam a temperatura do mercado.

A partir daí, a narrativa pública vem sendo apresentada como uma escalada rápida e consistente, com notícias mencionando que ela se prepara para uma próxima fase fora do Brasil, incluindo ida a Paris… Uh lá lá!

E aqui eu vou ser bem House of Models de ser, darling: o ponto não é “Paris” como fetiche geográfico. O ponto é o que Paris representa como checkpoint industrial. Paris é onde a moda testa se você é só buzz local ou se você aguenta o jogo global. É onde o olhar muda, o ritmo muda, o padrão sobe e o mercado para de te tratar como promessa e começa a te tratar como investimento. Ui ui ui.

O lado que ninguém posta: representatividade sem estrutura vira vitrine quebrada

Representatividade sem estrutura é só estética. E estética sem estrutura, na moda, vira exploração com filtro bonito. O Favela Seeds se torna relevante porque entra no território do que realmente muda destino: acesso, conexão com agência, orientação, encaminhamento para trabalhos, validação de mercado.

E isso acontece dentro de um setor enorme. A cadeia têxtil e de confecção no Brasil movimentou R$ 203,9 bilhões em 2023 e ficou na casa de R$ 212,6 bilhões em 2024, segundo números do setor. Ou seja, tem dinheiro circulando, tem imagem circulando, tem produto circulando. O que sempre faltou foi a circulação de oportunidade com a mesma força.

Então quando surge um projeto que tenta transformar origem em caminho, não dá para ler só como “bonito”. Tem que ler como proposta de redistribuição de acesso dentro de uma máquina gigante.

E o que essa pauta diz sobre a moda brasileira, agora, sem romantização?

O Favela Seeds coloca a moda diante de uma pergunta que ela odeia responder: quem decide o que é “potencial”? Quem define “perfil”? Quem tem o mapa e quem fica só tentando adivinhar o caminho?

A moda brasileira tem talento de sobra. O que ela tem de menos é sistema transparente. E toda vez que aparece um projeto que cria ponte concreta, ele expõe o que sempre foi verdade: o circuito tradicional não era “o único caminho”, ele era o único caminho para quem tinha permissão de entrar.

Juliana Nalú, com o Favela Seeds, está basicamente dizendo: eu não vou esperar a indústria melhorar. Eu vou puxar o fio por fora. E, se isso virar escala, mon amour de Howkins, vai ser impossível voltar para o velho normal sem ficar feio.

A história de Juliana Nalú e Bárbara Amorim é sobre moda, sim. Mas é mais sobre poder. É sobre quem tem acesso ao começo do caminho. É sobre como a indústria escolhe seus “novos rostos”. E é sobre o tipo de futuro que a moda brasileira decide construir quando para de fingir que diversidade é só casting para foto de final de temporada.

Se a Bárbara vai virar o próximo grande nome internacional, o tempo vai dizer. Mas uma coisa já está dita: o sistema que colocou ela em movimento é o tipo de iniciativa que a moda precisa, não para parecer boazinha, mas para não continuar sendo previsível.

FAQ:

O que é o Favela Seeds?
É um instituto e rede de apoio comunitária idealizada por Juliana Nalú com sua família, nascido em 2023, com ações ligadas a cultura, esporte e arte, e com iniciativas para abrir oportunidades a jovens de favelas e comunidades.

Como funciona o Favela Seeds + Mix Models?
É uma parceria de casting e seleção de new faces com etapas de inscrição e fases que incluem momento presencial no Complexo do Chapadão, conectando talentos ao ecossistema profissional da agência.

Quem é Bárbara Amorim e qual o destaque profissional recente?
Ela integra o time da Mix Models e teve trabalho publicado pela agência em um projeto associado à Louis Vuitton.

Foto: Victor Curi

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