Por HofM Newswire
Darling Lee da Silva e Silva… Tem palavras que o Brasil ama porque elas economizam pensamento. “Musa do Verão” é uma delas. Dois segundos de etiqueta e pronto: você não precisa explicar a cidade, nem a praia, nem o corpo, nem o desejo, nem o recorte social, nem a engrenagem midiática que transforma gente em estação do ano. Você só aponta e diz: “é ela”. E segue o baile, baby.
Só que 2026 não está com paciência pra rótulo vazio, mon amour de Xique-Xique. O verão virou território de disputa simbólica. Quem é visto, quem é lido, quem é desejado, quem vira referência e quem segue sendo figurante no próprio país tropical. E é exatamente aí que a Elian Gallardo Model (EGM) coloca o pé na porta com o lançamento das suas musas, começando com uma escolha que tem mais intenção do que enfeite.
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O nome dela é Beatriz Stephany. Ela tem 22 anos. É modelo, embaixadora da EGM e, detalhe que dá outro tempero pra conversa, é CLT. Isso muda a textura do discurso na hora. Porque a “musa do verão” clássica sempre foi tratada como aparição: surge do nada, vive de sol e flash, e some quando a estação muda. Beatriz entra por outra porta: a da mulher que está construindo presença com os dois pés no chão, conciliando rotina real com um personagem público que está nascendo agora.
E sim, “agora” mesmo. A trajetória dela na moda, segundo a própria, começou há cerca de um mês e meio. E o mais interessante não é a velocidade. É o tipo de transformação que ela descreve: não como “me descobriram”, mas como “eu me reconheci”. Essa diferença é tudo, honey.

Beatriz vive na Zona Oeste de São Paulo e conta que mora com mãe, tia e avó. Ela chama esse trio de fortaleza. É uma frase simples, mas carrega uma assinatura de mundo: musa não como mulher isolada num pedestal, e sim como resultado de um ecossistema afetivo que sustenta. Tem muita “musa do verão” por aí que foi vendida como autonomia glamourosa, quando na prática era solidão bem iluminada. Aqui, o que aparece é base. E base, darling Lee, é onde nasce estilo de verdade.
Ela se define como mulher afrolatina, maximalista, quente, expansiva, conectada às raízes latinas. E antes que alguém tente empurrar isso pra uma caixinha de “identidade como marketing”, o texto dela mesma dá a pista: existe um antes e depois. Ela fala de um passado recente em que não se reconhecia. E coloca o título de musa não como coroação estética, mas como ponto de virada pessoal. Musa como reconquista de espelho. Musa como direito de existir em voz alta.

Agora segura essa cena, mon petit de Howkins, porque é aqui que nasce o “mito fundador” do projeto.
O convite para ser Musa do Verão da EGM veio a partir de um shooting de portfólio dirigido por Elian Gallardo. Ela conta que houve percalços no set, daqueles que normalmente derrubariam energia, mas que acabaram provocando o oposto: uma equipe que entrega ainda mais. E aí acontece o clique que virou símbolo. Ela está de biquíni de oncinha, com uma bandeira do Brasil molhada aderida ao corpo, ao som de reggaeton tocando no estúdio. A imagem, segundo ela, falou por si.
Se você entende de imagem, você entende o que isso significa. Oncinha é instinto, é pop, é excesso sem culpa. Bandeira molhada no corpo é camada política e fetiche visual ao mesmo tempo, uma espécie de “Brasil colado na pele” que pode ser lido como orgulho, como ironia, como tensão, como performance, como crítica… dependendo de quem olha. E o reggaeton ali é afirmação de latinidade fora do molde “bossa nova gourmet”. É calor de verdade, não filtro de campanha.

E é nesse ponto que o termo “musa do verão” começa a ser reprogramado.
Porque, quando Beatriz explica o que o título significa, ela não fala em “padrão”. Pelo contrário: ela frisa que não é “mulher padrão”. Ela diz que é uma mulher afrolatina, preta não retinta. E isso é uma frase que mexe com o jogo inteiro, porque ela aponta para um tema que o Brasil adora varrer pra baixo do tapete de praia: colorismo, hierarquia de visibilidade, quem recebe “o posto” e quem só recebe “o elogio”. Beatriz não romantiza o processo; ela reivindica presença.
E aí entra a figura do Elian Gallardo no enredo, não como “descobridor”, mas como diretor de olhar. Ela diz que ele a enxerga exatamente como ela é e faz questão de apresentar essa identidade ao mundo. Isso, numa agência, é posicionamento estratégico. Porque o mercado vive uma crise de autenticidade crônica: todo mundo fala em diversidade, mas na hora do casting, muitas vezes a diversidade é só estética controlada, um “tem que ter”, e não um compromisso de narrativa. A fala de Beatriz sugere outra direção: identidade como centro, não como decoração.

E como isso vira moda na prática? Vira estilo com assinatura. Ela se descreve como maximalista e coloca a moda como extensão desse calor: gosta de misturar cores, abusar de tons vibrantes, fazer dos acessórios o ponto principal. Ela menciona crochê e renda como apostas, e aposta forte nos maxi-acessórios com pedraria e strass. Ela também menciona cores vibrantes como laranja e vermelho, além de uma leitura que encosta na estética da própria bandeira do Brasil. Não no sentido óbvio de “verde e amarelo patriótico”, mas como uma paleta que é quase um estado de espírito tropical, e não um slogan.
E o texto dela tem uma coisa que, pra mim, é o pulo do gato: ela não vende “musa” como perfeição inalcançável. Ela descreve rotina, cuidado, energia. Ela fala de dança, de fitdance, de forró, sertanejo, e também de boxe. E menciona endometriose quando fala de cuidado com o corpo. Ou seja: musa não como vitrine lisa, mas como corpo real, com potência, com contexto e aquele borogodó que só tem no Brasil.

“Não deixem que ninguém apague o brilho de vocês. O mundo, muitas vezes, tenta nos moldar, nos silenciar ou nos dizer quem devemos ser. Mas o verdadeiro poder está em reconhecer quem somos e sustentar isso com coragem.” Beatriz Stephany, Musa do Verão da Elian Gallardo Model.
Isso é importante porque o termo “musa do verão” historicamente foi usado como atalho de objetificação. A musa era, muitas vezes, um corpo disponível para a imaginação alheia. Aqui, a musa tenta ser sujeito. Ela tenta dizer: eu não sou só sua estação. Eu sou minha narrativa. E isso, meu bem, é a diferença entre “ser eleita” e “se eleger”.

O que a EGM coloca em circulação, portanto, não é só uma modelo com título de temporada. É uma proposta: transformar o verão em plataforma de identidade, não em vitrine de padrão. E, se você acompanha moda com um mínimo de seriedade, você sabe que isso tem implicação de mercado. Porque marca nenhuma quer mais associar seu verão a uma imagem que envelhece mal. O público está mais rápido, mais crítico, mais atento. E o mundo pós-redes sociais é cruel: não basta ser “bonita pra caramba” (Bjs, Cariúcha); tem que ser legível, relevante, memorável. Tem que ter história. Tem que ter tese. Tem que ter verdade.
Beatriz entrega esse pacote com uma frase que, na prática, vale como manifesto: ela entende musa como reencontro, como possibilidade de abrir caminho para outras mulheres e como quebra da ideia de um único padrão de beleza. Isso é ambição simbólica. Isso é narrativa de longo prazo. Isso é construção de personagem público sem virar caricatura.

E é aqui que eu fecho com uma provocação, darling: talvez o futuro do “musa do verão” seja esse mesmo. Não uma mulher congelada num ideal, mas uma mulher em movimento, em processo, em disputa. Uma musa que não existe para inspirar o olhar do outro, mas para afirmar o próprio lugar no mundo.
Se “musa do verão” for isso, aí sim o termo volta a fazer sentido. Se não for, vira só mais uma palavra que o Brasil repete pra não pensar. E a gente já tem palavras demais pra isso, mon petit de Ipanema.
Ui ui ui. O babado é forte… Atura ou surta, bebê.
Foto: Divulgação – Elian Gallardo Model Management
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