Maxime Rio, safra de luxo e o Rio que voltou a sonhar alto

Convenhamos, mon petit de Cascadura, a Maxime Rio não é marca para quem vive correndo atrás de tendência como se fosse ônibus na Avenida Brasil. É para quem entendeu que o verdadeiro luxo masculino carioca é ter tempo, ter corte e ter presença sem precisar berrar. Neste artigo, eu conecto o retorno autoral de Maxime Perelmuter, a memória viva da British Colony e a lógica das “safras” como manifesto contra a ansiedade do mercado, com o novo momento do Rio e a ambição de uma semana de moda com pedigree internacional. Porque se o Rio Fashion Week quer voltar grande, não dá para montar line up só de barulho, mon amour. Precisa de marcas que organizam o olhar, que entregam Rio como linguagem e não como fantasia. Menos fogos, mais lâmina.

Por Fabio Lage House of Models

Tem marca que nasce querendo ser tendência. E tem marca que nasce querendo ser tempo. A Maxime Rio sempre cheirou mais a tempo do que a pressa, e em 2026 isso vira quase um ato político, mon amour. Num mercado em que muita gente confunde barulho com relevância, ela faz o contrário e ainda assim chega primeiro.

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Eu falo com a tranquilidade de quem não está chegando agora nessa conversa. Acompanhei Maxime Perelmuter na era British Colony, naquela temporada em que o Rio ainda flertava com a ideia de ser capital fashion com o peito estufado e a coragem em dia. E eu tenho uma peça guardada com carinho, dessas que viram cápsula de memória, não só porque é bonita, mas porque marca uma época, um gesto, uma assinatura.

Só que essa pauta não é nostalgia. É continuidade… É sobre como alguns criadores mudam de formato sem mudar de essência. E é sobre como a moda masculina carioca, quando resolve ser adulta, silenciosa e perigosa no corte, ainda é subestimada demais, babado forte!

Maxime Perelmuter, do novo clássico à roupa com intenção

A Maxime Rio se apresenta como uma marca que não vive de modismo e não quer ser o próximo básico bem feito. Ela fala de autoria, de permanência, de roupa com intenção. E coloca Maxime como o olhar por trás de tudo, uma trajetória costurada desde cedo, com herança de alfaiataria no sangue e a certeza de que elegância não é gritaria, é construção.

O que me interessa, como jornalista e como carioca do mundo, é que essa ideia de novo clássico não apareceu ontem, empacotada numa tag esperta. Maxime já falava disso quando ainda não era moda falar disso. Lá atrás, o vocabulário era outro, mas o espírito era o mesmo, pensar em peças essenciais que parecem simples, mas têm inteligência por dentro. O tipo de roupa que sustenta desejo sem precisar se vender como espetáculo… atura ou surta, bebê.

E aí entra um ponto crucial, que pouca gente tem coragem de admitir. A moda vive um dilema eterno entre imagem e venda, entre o que faz o olho brilhar e o que gira no caixa. Maxime sempre teve clareza desse cabo de guerra. Em algum momento, ele entendeu que passarela pode ser extensão do trabalho, mas não é a única ferramenta para criar desejo. Existe um mundo inteiro entre a ideia e o cabide. E quem entende isso não romantiza… Opera!

A lógica das safras, quando a coleção vira tempo e não ansiedade

Por isso a virada para a Maxime Rio não é um recomeço. É uma recalibragem de ritmo. Em vez de coleção ansiosa, a marca se organiza em safras. E safra, vamos combinar, é uma palavra deliciosa para moda, porque ela carrega uma filosofia inteira sem precisar explicar muito. Safra tem tempo, tem maturação, tem limite, tem escolha. Safra também tem aquele subtexto que dá vontade de comprar sem virar refém do consumo. Se você não pegou agora, talvez não pegue depois, bebê. Desejo também é escassez bem dosada e, quando isso é feito com elegância, vira assinatura, darling.

Essa lógica conversa direto com o que hoje se chama luxo silencioso, mas num sotaque que não tenta ser europeu, nem pede passaporte cultural. A Maxime Rio transforma camisaria premium e alfaiataria leve em linguagem de cidade. E isso tem peso, porque o masculino no Brasil vive entre dois extremos cansativos. Ou o básico como muleta, ou o exagero como fantasia. Aqui, a proposta é outra. O corte fala. O tecido responde. O caimento resolve.

Moda masculina carioca, o Rio sem fantasia e com corte de verdade

Essa linguagem de safra combina com o Rio de um jeito muito específico. Porque o Rio não é só cenário. O Rio é comportamento. É corpo. É calor. É luz. É vento. É aquela contradição permanente entre o despojamento e a vaidade. E a moda masculina carioca vive com uma maldição. Ou vira fantasia de praia, ou vira informalidade como desculpa, ou vira básico como preguiça. A Maxime Rio tenta justamente o caminho mais difícil. Fazer o Rio caber no corte sem virar uniforme de resort. Fazer referência sem virar clichê. Traduzir a cidade com sutileza, sem carimbo de cartão postal.

E é aí que a marca fica interessante de verdade. Não confunda discrição com ausência, baby. Discrição é presença controlada. Silêncio, aqui, é estratégia. O luxo não está no grito. Está na segurança.

Hoje, com loja casa em Ipanema, a Maxime Rio reforça uma coisa que muita marca esquece. Produto sem mundo vira commodity com etiqueta bonita. Ter casa é dizer, eu tenho universo. E universo, em 2026, é luxo. É também consistência, é experiência, é identidade encarnada, não só fotografada.

Rio Fashion Week, o retorno do Rio e o line up que precisa ter nervo

Agora segura esse gancho, porque aqui vem o plot twist que a minha cabeça já começou a dirigir sozinha, no modo O Fantástico Mundo de Bob, com trilha de verão e café gelado na mão. O Rio está vivendo um momento em que a cidade volta a flertar, com pedigree internacional, com a ideia de ter uma semana de moda com ambição e estrutura. O Rio Fashion Week volta ao radar como promessa de reposicionar a cidade no mapa e, se essa volta quiser ser mais do que um evento bonito, ela precisa ser um gesto cultural, mon petit.

E gesto cultural não se faz só com nome grande. Se faz com narrativa coerente. Se faz com marcas que têm linguagem, maturidade, método e identidade. Marcas que não estão ali só para aparecer, mas para dizer algo sobre o Rio e sobre o Brasil.

É por isso que eu digo, sem medo de parecer exigente. Seria de uma importância gigantesca ver marcas como a Maxime Rio no line up. Porque ela encaixa como luva nesse novo momento do Rio. Ela é o tipo de moda masculina que não implora por validação, que não precisa gritar sou carioca para ser carioca, e que tem capacidade de entregar uma leitura contemporânea da cidade. Ela traz o Rio como inteligência, não como fantasia.

E pensa no impacto simbólico disso. Um Rio Fashion Week que quer se recolocar no circuito internacional precisa ser menos barulho e mais conteúdo. Precisa mostrar que o Rio não é só entretenimento, é linguagem. E a Maxime Rio, do jeito que constrói sua ideia de safra, de permanência, de roupa com alma e caimento, poderia ser exatamente essa safra fresquinha, brisa úmida e geladinha em pleno verão carioca. Uma presença que não chega para disputar holofote, mas para organizar o olhar. O babado é certo, viu!

Da British Colony à Maxime Rio, menos fogos, mais lâmina

No fim, a história que eu vejo aqui é simples e bem afiada. British Colony foi um capítulo de passarela, energia de época, coragem cultural. A Maxime Rio é outro capítulo, mais silencioso, mais cirúrgico, mais compatível com um mundo pós excesso. Menos fogos, mais lâmina.

E, quer saber. Às vezes é a lâmina que faz história.

Foto: Divulgação

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