Por Fabio Lage – House of Models
Ui ui ui, mon petit… tem uma coisa que a moda faz com uma eficiência quase cruel: ela celebra a imagem… até o dia em que decide que aquela imagem “passou do ponto”. Como se pessoa viesse com data de validade estampada na testa. E é justamente por isso que a história de Lucy Borges bate diferente.
Lucy começou na moda ainda adolescente, construiu corpo, presença e imagem no circuito internacional dos anos 1990 e, agora, aos 50, retorna a um mercado que historicamente invisibiliza mulheres maduras como se fosse parte do “cenário”. Só que ela não voltou para pedir licença. Ela voltou para narrar, darling. Babado forte, mon amour.
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O resultado dessa retomada vira livro: “Meus 50”, com lançamento previsto para esse janeiro de 2026. E já dá pra cravar: não é “mais um projeto fofo” pra postar e esquecer. É um gesto de autoria. É Lucy dizendo, com todas as letras (literalmente), que maturidade não é sumiço. Maturidade é linguagem. É escolha. É liberdade. Atura ou surta, bebê.
“Meus 50” nasce de um lugar que a moda até adora explorar visualmente, mas raramente deixa falar em primeira pessoa: a intimidade real. Lucy parte da própria trajetória para costurar reflexões sobre escolhas, amadurecimento e liberdade, sem cair na armadilha do “manual” e sem aquele tom motivacional com cheiro de palestra corporativa às 7h da manhã. Ela não quer ditar regra. Ela quer iluminar experiência.
E é aí que mora a potência: quando uma mulher madura escreve sobre si, com franqueza, ela interrompe o roteiro que o mercado tenta empurrar. Aquele roteiro do “foi linda, foi jovem, foi… passada”. Não, querido. Ela está inteira, tá. E quando uma mulher inteira resolve narrar o próprio tempo, a cultura treme um pouquinho. Ainda bem!
Lucy mesma deixa isso claro ao reconhecer que percebeu impacto no modo como enxerga o mundo. Não é sobre criar discurso pronto. É sobre aceitar que viver com consciência gera linguagem, e linguagem vira espelho. E espelho, na moda, sempre foi arma e altar ao mesmo tempo.

Quando a escrita deixa de ser registro e vira necessidade
Tem um detalhe que dá muita densidade emocional ao projeto: “Meus 50” não nasce de uma “ideia” genérica, nasce de um hábito antigo de escrita que sempre funcionou como ferramenta de elaboração emocional. Lucy escreve desde criança. A escrita, pra ela, é método de organizar pensamento, de atravessar emoção, de dar forma ao que a vida bagunça.
E quando vêm rupturas pessoais, como a separação e a distância da filha, esse ato deixa de ser “diário” e vira necessidade. Aqui não tem pose. Tem sobrevivência íntima. Tem reconstrução. E isso, numa indústria obcecada por superfície, é quase um ato subversivo.
A moda ama falar de storytelling, darling, mas geralmente é storytelling com filtro. Lucy entrega storytelling com carne, com nervo, com silêncio, com verdade. A diferença é gritante.

Como as imagens reforçam a ideia, sem idealização e sem maquiagem de realidade
Visualmente, “Meus 50” também faz um movimento esperto: as imagens, em grande parte assinadas por Cláudio Belizário, foram produzidas durante a pandemia e evitam idealizações. Pouca produção. Sem filtros. Sem aquela fantasia de perfeição que tenta apagar o tempo, a pele, a história. Lucy resume de um jeito que corta: era só o que a gente estava vivendo.
E é aí que o livro acerta em cheio no nervo do nosso tempo. Porque a pandemia foi uma espécie de verdade coletiva: ou você encarava o real, ou enlouquecia. Trazer essa estética do vivido para um livro sobre os 50 não é “minimalismo cool”. É posicionamento. É dizer que o rosto não precisa pedir desculpas por existir. Que a imagem não precisa performar juventude para ser desejável, interessante, potente.
E, convenhamos, baby… a moda precisa urgentemente reaprender a olhar para a maturidade sem transformar mulheres em “exceção inspiradora”. Lucy não é exceção. Lucy é consequência. Consequência de uma geração inteira que cansou de desaparecer em silêncio.

“Meus 50” como ponto de virada: modelo 50+ e autora, ao mesmo tempo
O livro costura memória, intimidade e reflexão a partir de um ponto ainda pouco explorado na moda e na cultura brasileira: o da mulher madura que se recusa a sumir. Isso consolida Lucy Borges não apenas como modelo 50+, mas como autora. E isso muda o jogo, porque autora não é alguém que “aparece”. Autora é alguém que constrói permanência.
E tem uma camada de mercado aqui que não dá pra ignorar: enquanto marcas e campanhas tentam desesperadamente parecer “inclusivas”, o mundo real está mudando a régua do desejo. A maturidade está deixando de ser nicho e virando vocabulário, estética, consumo, conversa cultural. Só que, para não virar oportunismo, precisa de gente real ocupando a narrativa. E Lucy faz isso.
Se “Meus 50” fosse só um livro bonito, já valeria. Mas ele aponta para algo maior: a urgência de reposicionar a mulher madura como centro, não como nota de rodapé. E, sinceramente? Já passou da hora.
Honestamente, darling Lee… Lucy Borges não está pedindo que a moda a veja. Ela está se vendo primeiro. E quando uma mulher se vê, com lucidez, o mercado inteiro tem duas opções: acompanhar… ou ficar falando sozinho no espelho do próprio etarismo. Deus me FREE.
Foto: Divulgação
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