Ui ui ui, corre aqui mon amour de Xique-Xique… tem estreia de cinema, tem saudade, tem timing cultural e tem… moda metida até o pescoço no enredo. “Agentes Muito Especiais” chegou aos cinemas no dia 8 de janeiro de 2026 com uma premissa que já nasce com carimbo de Brasil: comédia policial, dupla atrapalhada, crítica social na borda (sem virar sermão) e um coração criativo que vem lá de trás, de uma ideia original de Paulo Gustavo com Marcus Majella.
E antes que alguém pergunte “tá, mas onde a moda entra?”, eu respondo com a segurança de quem já viu passarela virar tribunal (e vice-versa): ela entra como linguagem, como gatilho narrativo e como aquele tipo de cenário que não é só bonito pra câmera passear. Moda, aqui, é engrenagem baby.

Um filme com DNA Paulo Gustavo e Majella, com legado na entrelinha
O projeto ficou paralisado por anos e, segundo o que foi divulgado sobre os bastidores, só voltou a andar depois que Déa Lúcia, mãe de Paulo Gustavo, pediu que o filme fosse concluído. Isso muda o gosto do lançamento. Não é apenas “um filme que estreia em janeiro”. É narrativa de legado, bebê. É afeto virando obra. É o cinema brasileiro lembrando que entretenimento também pode carregar assinatura emocional sem virar culto ou exploração.
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E esse ponto é crucial: Paulo Gustavo é uma referência de humor popular. Ele é praticamente uma tecnologia social brasileira. Ele criou ponte. Ele fez o país rir do que doía. Então, quando uma ideia dele volta à vida, o público não assiste só com os olhos, honey Lee… assiste com a memória.
Quando o glamour vira boletim de ocorrência
A trama acompanha Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro), dois recrutas que sonham com a unidade de elite da polícia do Rio e acabam enfiados numa missão que mistura disfarce, infiltração, penitenciária e um quebra-cabeça envolvendo o “Bando da Onça”, liderado por Onça (Dira Paes).
E aqui entra o tempero deliciosamente metalinguístico: em materiais divulgados, a própria Onça aparece assumindo a fachada de “grande estilista” para esconder a vida criminosa. Alô, fashion world. Vocês pediram ironia? Tá servido no pratinho de porcelana do camarim. Porque a moda, quando entra nesse tipo de narrativa, vira exatamente o que ela sempre foi: palco de performance, máscara social, poder simbólico e disputa.
A joia que move a trama é o objeto. O que vale mesmo é o que ela representa. E quando um filme popular coloca isso no centro, ele está dizendo em voz alta aquilo que a gente, do front row, sabe há décadas: moda não é “futilidade”. Moda é capital, honey; cultural, social e imagético. E capital sempre atrai gente querendo roubar, usar, controlar e sequestrar narrativa.

Carol Trentini: presença que o público reconhece sem legenda
E onde entra Carol Trentini nessa história? Entra do jeito que a indústria ama quando resolve se divertir: como presença especial num filme que usa o universo fashion não como adereço, mas como motor de trama.
Carol é esse tipo de nome que, quando aparece, o público reconhece mesmo que não saiba “de onde”. Porque supermodelo de verdade não precisa de introdução didática: ela chega e o olhar entende. Com mais de duas décadas de carreira, trajetória internacional e repertório de passarelas e campanhas de primeira linha, ela entrega exatamente o que um roteiro desses precisa para dar verossimilhança ao “evento fashion” da história… e ainda cria aquela fricção gostosa entre o mundo milimetricamente produzido da moda e o caos deliciosamente humano da comédia.
E convenhamos, mon petit de Hawkins: poucos universos são tão cinematográficos quanto a moda. Todo desfile já nasce com drama, risco, hierarquia, disputa de espaço e uma tensão invisível que a câmera ama. Bota isso numa comédia policial e pronto: a passarela vira terreno perfeito para golpe, armação, disfarce e personagem fingindo ser quem não é. Ou seja, o DNA de todo grande enredo.

A imagem fala: o “holofote vestido de gente” e a leitura de presença
Nas fotos de divulgação e bastidores que circulam, Trentini aparece com aquele controle corporal que não se aprende em workshop de pose. Aprende-se vivendo set, vivendo casting, vivendo câmera. Um vestido longo de brilho metalizado, ombros à mostra e uma coluna central de pedrarias que faz a peça funcionar como um “holofote vestido de gente”. É escolha com intenção. Conversa com premiere, conversa com filme, conversa com esse lugar em que moda vira espetáculo público.
Representatividade sem panfleto e comédia com tensão real
No fim, “Agentes Muito Especiais” parece mirar naquele ponto onde o Brasil é imbatível: rir do próprio caos sem perder a ternura e sem fingir que o preconceito não existe. O próprio enredo reconhece que Jeff e Johnny apanham de chacota e hostilidade por serem gays; e transforma isso em combustível dramático para eles provarem competência no meio da bagunça.
Então, sim: é comédia. Mas é também é um poderoso recado, querides. E quando a moda encontra o cinema popular, ela sai do nicho e vira conversa de sala cheia. Quando uma supermodelo como Carol Trentini entra nesse jogo, ela empresta ao filme aquilo que só quem já carregou campanha, desfile e capa no corpo sabe entregar: presença.
O resto… o resto é “boto fé” que vai render risada no escuro do cinema.
“Agentes Muito Especiais” tem direção de Pedro Antonio, roteiro de Fil Braz, produção envolvendo Migdal Filmes, A Fábrica e Na Paralela Filmes, em coprodução com Globo Filmes, e distribuição da Downtown Filmes; estrutura robusta de mercado pra um produto de apelo amplo, com cara de “vamos lotar sala em janeiro e virar assunto no boca a boca”.
Para ver o trailer oficial, aqui está o link: Agentes Muito Especiais
Crédito: Thiago Bunduky (@bunduky)
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